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Às vésperas de migrar para Nasdaq, Inter bate 20 milhões de clientes

Helena Caldeira, CFO da companhia, destaca crescimento orgânico e amadurecimento do relacionamento com cliente como pilares para 2022

Sede do Inter em Belo Horizonte: banco migra ações para Wall Street em junho (Inter/Divulgação)

Sede do Inter em Belo Horizonte: banco migra ações para Wall Street em junho (Inter/Divulgação)

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Beatriz Quesada

31 de maio de 2022, 07h30

O Inter (BIDI11) acaba de alcançar a marca de 20 milhões de clientes, a poucas semanas de migrar suas ações para a bolsa americana de tecnologia Nasdaq. A expectativa é manter o ritmo de expansão registrado em 2021, abrindo mais 4 milhões de contas até o final do ano.

“A força do crescimento vem de uma boa entrega de valor do Inter. Oferecemos serviços justos que resolvem o problema do cliente com um aplicativo na palma da mão. Um percentual muito grande da nossa base é promotor do negócio, e boa parte do fluxo [de novos clientes] vem mais do ‘boca a boca’ do que de um esforço de divulgação”, disse Helena Caldeira, CFO da companhia, em entrevista à EXAME Invest. O NPS do Inter, que mede a satisfação do cliente, é de 83 – um dos mais altos do setor bancário.

Para 2022, a estratégia da companhia é ampliar o foco. De um lado, a aquisição de novos clientes continua sendo um pilar relevante, especialmente considerando que o Inter ainda possui uma fatia de mercado pequena em relação a seus pares em segmentos relevantes do sistema bancário, como a própria consessão de crédito.

De outro, o banco digital começa a olhar com mais atenção para dentro de casa, em um posicionamento que Caldeira descreve como “amadurecimento do relacionamento com os clientes”.

A expectativa é aumentar o engajamento com a base atual, respondendo a um dos principais anseios do mercado em relação à empresa: entender qual a estratégia o Inter vai usar para rentabilizar sua operação. Segundo dados do primeiro trimestre, 55% dos clientes do Inter são ativos, ou seja, geram alguma forma geram receita para o banco – via transações, empréstimos ou compras no market place. Os outros 45% são o desafio para 2022.

“É natural que o Inter leve algum tempo para ativar os novos clientes. A tendência é que a base vá ficando mais madura e que o engajamento aumente conforme vamos construindo a relação com o cliente”, afirmou Caldeira. Uma das apostas do banco é a venda cruzada (cross-selling), com oferecimento de produtos financeiros e não-financeiros em uma única plataforma. Vale lembrar que o Inter é pioneiro no lançamento de um marketplace dentro de um produto bancário.

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É possível, porém, que o momento macroeconômico desafiador dificulte os planos do Inter. Enquanto a base de clientes do banco digital subiu 82% no primeiro trimestre na comparação anual, os clientes ativos estão crescendo em um ritmo mais lento, de 68% no mesmo intervalo de tempo. O descompasso pode ser explicado pela turbulência nas bolsas após escalada dos juros e da inflação. A consequência é uma abordagem mais conservadora do Inter na administração de cartões de crédito e originação de empréstimos – dificultando o engajamento dos clientes com esses produtos.

A estratégia do banco digital para se proteger do obstáculo macro é a diversificação de riscos e receitas. As maiores fontes de receita do Inter são as originadas dos cartões, que representam 29% do total, seguidas por uma fatia de 27% de float (receita via conta corrente) e de 19% do marketplace.

Ainda assim, os papéis estão sofrendo na bolsa. As units do Inter já caíram 81% desde a máxima, em julho do ano passado, quando eram negociada na casa dos R$ 82. De lá para cá a taxa básica de juros, a Selic, saltou para a casa dos dois dígitos, deixando os investidores mais temerosos. O Inter fechou o último pregão com preço de R$ 12,90 e é o papel com pior desempenho do Ibovespa no ano.

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Migração para a Nasdaq

Apesar de negativa, a reprecificação do Inter pode ajudar o banco em seu próximo grande passo: conquistar novos investidores no exterior. “Estar com um preço ‘descontado’ pode ser atrativo para o investidor que está ouvindo a história do Inter pela primeira vez. Se tivéssemos múltiplos muito esticados, não seria considerado um bom ponto de entrada neste momento de mercado de instabilidade das bolsas”, argumenta a CFO. 

O Inter começa a negociar suas ações na bolsa de tecnologia Nasdaq no dia 23 de junho. O objetivo da migração é facilitar o acesso ao capital, mais abundante na economia e nas bolsas do exterior. O financiamento foca no longo prazo, visando tanto a expansão da área de crédito do Inter quanto o aproveitamento de possíveis oportunidades de consolidação. “A estrutura nos EUA tem uma flexibilidade maior que é importante para o futuro do Inter. Deixa a empresa mais bem posicionada para crescer”, defendeu Caldeira.

Os planos também incluem migrar parte da operação para os Estados Unidos. Em janeiro deste ano, a companhia adquiriu a fintech norte-americana USEND, que atua no serviço de remessas de dinheiro entre países, com foco em brasileiros residentes no exterior. Os planos são integrar, já no segundo semestre, as operações bancárias do Inter com o que já é oferecido pela USEND. A companhia também pretende oferecer um serviço de conta global em dólar para os investidores brasileiros interessados em internacionalização. 

Por sinal, o primeiro passo dado na direção de oferecer produtos lá fora está na migração do próprio Inter: as ações e units da empresa serão convertidas em BDRs a partir do dia 17 de junho. Mas, quem quiser negociar diretamente na bolsa americana pode optar por trocar seus BDRs por ações listadas na Nasdaq. Neste caso, é preciso possuir uma conta em corretora que atue no exterior. Não por acaso, o Inter é uma das instituições que oferece o serviço.