Marcelo Zimet, CEO do Grupo L'Oréal no Brasil: "Times engajados e motivados se transformam em performance” (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter
Publicado em 27 de maio de 2026 às 12h07.
Última atualização em 27 de maio de 2026 às 12h44.
Enquanto muitas empresas brasileiras correm para adaptar processos internos às novas exigências da NR-1, que entrou em vigor nesta terça-feira, 26, o Grupo L'Oréal afirma que a nova norma apenas reforça um caminho que já vinha sendo seguido pela companhia há anos.
“Não esperamos ter normas ou leis para fazer o que é certo. Cuidar dos funcionários é algo que todas as companhias deveriam fazer”, afirma Marcelo Zimet, CEO da L'Oréal no Brasil, em entrevista ao podcast “De Frente com CEO”, da EXAME.
A nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia o olhar das empresas para riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como estresse, burnout, assédio e sobrecarga emocional, passa a exigir que organizações incluam saúde mental dentro da gestão oficial de riscos ocupacionais.
Na avaliação do executivo, a mudança regulatória deve impactar menos empresas que já incorporaram o bem-estar como estratégia de gestão e mais aquelas que ainda tratam saúde mental apenas como benefício periférico.
“A gente não espera normas para criar um ambiente mais inclusivo, respeitoso e saudável. Times engajados e motivados se transformam em performance”, afirma Zimet, que é o primeiro brasileiro a liderar a multinacional no Brasil.
O Grupo L'Oréal, segundo Zimet, mantém programas globais de saúde e bem-estar há mais de uma década e já havia implementado políticas voltadas à segurança psicológica antes mesmo da discussão da nova NR-1 ganhar força no mercado.
“Existem vários programas que a gente chama de simplicidade dentro da companhia, para realmente fazer a empresa ser mais simples, mais inclusiva e mais respeitosa”, diz.
Entre as medidas adotadas pela empresa estão regras para limitar reuniões, ampliar períodos de concentração e incentivar equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Na prática, a L'Oréal não permite reuniões nas manhãs de segunda-feira, limita encontros a 45 minutos, evita agendas após 18h e encerra as operações às 15h nas sextas-feiras. Além disso, os funcionários precisam estar presencialmente no escritório apenas três vezes por semana.“A gente tem uma relação de adultos. Eu respeito você, te dou flexibilidade, mas espero responsabilidade também”, afirma o CEO.
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A discussão sobre saúde mental também passa pela construção de ambientes seguros e diversos, segundo Zimet.
“Se você está num país diverso, você tem que ter um time diverso. Para mim, diversidade e inclusão é uma questão de respeito”, afirma.
Hoje, segundo a companhia, 55% da liderança da operação brasileira é composta por mulheres, mais de 25% das lideranças são negras e cerca de 45% dos funcionários se autodeclaram negros ou pardos.
O executivo afirma ainda que líderes que não compreendem a importância desse ambiente mais inclusivo têm dificuldade de prosperar nas organizações atuais.
“Um líder que não entende isso não pode ser líder”, diz.
O cuidado com os funcionários deixou de ser apenas uma agenda de RH e passou a influenciar diretamente inovação, produtividade e retenção de talentos, afirma Zimet.
“Hoje, o maior orgulho de muitos funcionários não são só as marcas, mas o propósito da companhia”, diz o CEO.
Ele afirma que empresas que conseguirem criar ambientes mais humanos terão vantagem competitiva nos próximos anos, especialmente em um cenário de transformação acelerada do trabalho, avanço da inteligência artificial e mudanças culturais dentro das organizações.
“A gente se autodenomina uma startup em grande escala, ou, ‘bio tech’. Se você não tiver flexibilidade, curiosidade e agilidade para se adaptar às mudanças, você está na empresa errada”, afirma.
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Em 1909, em Paris, o químico francês Eugène Schueller decidiu criar uma fórmula de tintura capilar mais segura e inovadora para os padrões da época. O produto fez sucesso entre cabeleireiros franceses e deu origem à L'Oréal. Hoje é uma das maiores companhias de beleza do mundo, com atuação em mais de 150 países e um portfólio global de cerca de 40 marcas.
No Brasil há mais de 60 anos, a companhia opera atualmente com 23 marcas distribuídas entre as divisões de consumo, luxo, beleza dermatológica e produtos profissionais.
Segundo Zimet, o Brasil está entre as operações mais estratégicas da L'Oréal no mundo, acompanhando o peso do país no mercado global de beleza, onde figura entre os quatro maiores mercados do setor, disputando historicamente as primeiras posições ao lado de Estados Unidos, China e Japão.
Em 2025, o grupo registrou faturamento global de cerca de R$ 300 bilhões e manteve crescimento acima das expectativas do mercado no primeiro trimestre de 2026. Segundo Zimet, a operação brasileira cresce há sete anos consecutivos e segue como uma das principais alavancas de expansão global da companhia.