Ações da Apple (APPL34) caem após reviravolta sobre produção de iPhones

A fabricante informou que desistiu do plano de aumentar a produção de novos modelos do iPhone este ano, pois a expectativa de maior demanda não se concretizou
Apple (APPL34) (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)
Apple (APPL34) (NurPhoto / Colaborador/Getty Images)
Carlo Cauti
Carlo CautiPublicado em 28/09/2022 às 19:52.

As ações da Apple (APPL34) caíram nesta quarta-feira, 28, após a desistência da marca em aumentar a produção de iPhone.

Os papéis da Apple na Nasdaq perderam 1,27%, enquanto os BDRs listados na B3 (B3SA3) caíram 1,67%.

A Apple informou que desistiu do plano de aumentar a produção de novos modelos do iPhone este ano, pois a expectativa de maior demanda não se concretizou.

Há algumas semanas, a casa de Cupertino, Califórnia, lançou a nova família iPhone, os modelos 14 modelos, e tem enfrentado dificuldades por causa de uma desaceleração na produção do novo smartphone. As plantas na China interromperam muitas vezes suas produções por causa dos lockdowns impostos pelo governo chinês.

Agora, a empresa enfrenta outra desaceleração, dessa vez da demanda, e pediu aos fornecedores para que suspendam os esforços para aumentar a produção de iPhone 14 em até 6 milhões de unidades no segundo semestre.

A produção até dezembro será de 90 milhões de aparelhos, aproximadamente o mesmo nível de 2021.

Demanda enfraquecida por inflação e crise econômica

A demanda enfraquecida pela crise econômica e pela inflação evidentemente desencorajou a Apple, que preferiu refazer seus passos, interrompendo o esperado aumento de produção. Isso foi o suficiente para balançar as ações em Wall Street, com os papéis da produtora de iPhones que caíram 4% logo na abertura, queimando cerca de US$ 80 bilhões de capitalização em poucas horas, e recuperando parte das perdas ao longo do pregão.

Mas a notícia da reviravolta sobre o aumento da produção do iPhone também impactou os fornecedores e parceiros da Apple. As ações da maior fabricante de microprocessadores do mundo, a Taiwan Semiconductor Manufacturing, também perderam cerca de 3%. E resultado semelhante foi registrado pela Foxconn, parceira histórica da Apple no ciclo de produção do iPhone.

Apple (APPL34) enfrentando o mesmo problema dos concorrentes do mundo

A Apple está enfrentando um problema que afeta quase todos os fabricantes de telefones do mundo: a China.

O maior mercado de smartphones do mundo está passando por uma crise econômica que afeta diretamente os fabricantes locais de dispositivos móveis, e que também afetou as vendas do iPhone.

As compras da série iPhone 14 nos primeiros três dias de disponibilidade na China caíram 11% em relação ao que aconteceu há um ano com o iPhone 13.

A demanda global por eletrônicos de uso pessoal também esfria em meio ao avanço da inflação, temores de recessão e instabilidade devido à guerra na Ucrânia. O mercado de smartphones deve encolher 6,5% este ano, para 1,27 bilhão de unidades. Um grande sinal de alerta para o CEO, Tim Cook.

Entretanto, existe um paradoxo nessa história. Se as vendas de iPhone 14 estão patinando, o modelo iPhone 14 Pro está dando grandes satisfações para a Apple. Isso mesmo se é um produto que chega a custar, em média, US$ 300 a mais do que o modelo básico. Ou seja, vale o bom e velho princípio que a crise existe, mas afeta mais os mais pobres.