Alibaba (BABA34) se prepara para conquistar o mercado europeu

O objetivo é conquistar pelo menos uma parte dos 121 bilhões de euros faturados pela Amazon (AMZO34) no segundo trimestre
Alibaba (BABA34) (Aly Song/File Photo/Reuters)
Alibaba (BABA34) (Aly Song/File Photo/Reuters)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 06/09/2022 às 07:38.

Última atualização em 06/09/2022 às 07:40.

O gigante do varejo chinês Alibaba (BABA34) está se preparando para conquistar o mercado europeu.

O grupo, fundado pelo bilionário Jack Ma, planeja chegar na Europa através da subsidiária Lazada, adquirida em 2016, cujo faturamento atual é de US$ 21 bilhões.

O objetivo é conquistar pelo menos uma parte dos 121 bilhões de euros faturados pela Amazon (AMZO34) no segundo trimestre do ano no mercado europeu.

Um valor que atrai gigantes das vendas on-line como Alibaba, que já lideram o mercado asiático, e que agora querem tentar minar a primazia do grupo de Jeff Bezos na Europa.

Quanto vale o mercado de comércio eletrônico europeu

Segundo a Ecommerce Europe e Eurocommerce, o mercado europeu de comércio eletrônico deverá fechar 2022 com um valor total de 797 bilhões de euros, alta de 11% em relação ao ano passado, quando esse valor era de 718 bilhões de euros.

A porcentagem dos usuários da internet que fazem compras on line é de 75%, com picos de 84% na Europa ocidental.

"A Europa é obviamente um mercado muito grande e para a maioria das marcas europeias o parceiro natural para o varejo é o Alibaba Group, para exposição ao mercado chinês. Iremos onde as marcas nos indicarão de ir", declarou o CEO da Lazada, James Dong, anunciando o desembarque no Velho Continente.

Dong, ex-assistente de negócios do CEO do Alibaba, Daniel Zhang, assumiu as rédeas da unidade de negócios internacionais mais importante do Alibaba em junho, depois de liderar as operações da Lazada na Tailândia e no Vietnã.

A Lazada já investiu em operações similares fora das fronteiras da China. Por exemplo, na Indonésia, onde investiu US$ 304,5 milhões na empresa Dana, ou na Malásia, onde investiu US$ 168 milhões na TNG Digital. Esta semana, a controladora chinesa informou que investiu US$ 912,5 milhões na Lazada, elevando o total de capital aplicado nesse ano para US$ 1,3 bilhão. O objetivo da Alibaba para a Lazada é que dobre sua base de clientes até 2030, atingindo 300 milhões de pessoas.

Agora resta entender como eles vão querer se mover na Europa, seja adquirindo realidades locais ou por meio do crescimento orgânico. Isso pois no Velho Continente 4% dos vendedores são do mesmo país, somente em 32% dos casos os consumidores compram produtos de outros países europeus e apenas 22% de outros continentes.

Portanto, o mercado europeu será um desafio importante, não apenas no âmbito dos investimentos mas também pela necessidade de mudança de costume entre os consumidores.

Albaba (BABA34) quer ir além das fronteiras da China

O Alibaba tenta há anos superar as fronteiras chinesas, e através do AliExpress conseguiu entrar no mercado russo e brasileiro.

O anúncio de investimentos na Europa ocorreu um dia depois que as autoridades dos Estados Unidos anunciaram que realizarão auditorias em uma série de empresas chinesas listadas em Nova York, entre as quais  Alibaba e de outro gigante chinês do comércio eletrônico, a JD.com.

Essas inspeções começarão em 30 dias, e são a consequência do acordo assinado entre Pequim e Washington que permite às autoridades norte-americanas realizar auditorias nos escritórios de empresas da China continental e de Hong Kong. O objetivo do acordo é terminar a antiga disputa que ameaçou retirar mais de 200 empresas chinesas das Bolsas de Valores dos EUA por falta de transparência.

O Alibaba, listada em Nova York em 2014, foi incluída em julho pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) na lista de empresas que deveriam ter sido deslistadas se não tivesse sido assinado o acordo de auditoria. As autoridades americana deixaram claro que não haverá exceções, nem mesmo para o grupo de Jack Ma, que tem um valor de mercado de US$ 248 bilhões.