A volta de Adam Neumann: ex CEO da WeWork cria nova startup (que já virou unicórnio)

A Flow, a nova empresa de Neumann, também atua no setor imobiliário e com o mesmo modelo da WeWork, só que no segmento residencial e não corporativo
Adam Neumann, fundador da WeWork (WeWork/Exame)
Adam Neumann, fundador da WeWork (WeWork/Exame)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 17/08/2022 às 17:22.

Última atualização em 17/08/2022 às 17:44.

O controverso fundador e ex-CEO da WeWork, Adam Neumann, está de volta ao mercado.

Desta vez com uma nova startup, que, embora ainda não esteja operacional e, portanto, não gere receita, já vale mais do que US$ 1 bilhão.

A Flow, a nova empresa de Neumann, também atua no setor imobiliário e com o mesmo modelo da WeWork, só que focando no segmento residencial e não corporativo.

A empresa teria recebido um financiamento de US$ 350 milhões da companhia de capital de risco Andreessen Horowitz (a16z), e com isso teria já alcançado o patamar de unicórnio.

A Andreessen Horowitz ficou famosa pelos investimentos iniciais no Twitter (TWTR34) e Airbnb (AIRB34).

As atividades da Flow deveriam começar em 2023, mas Neumann já estaria adiantando os trabalhos comprando mais de 3 mil apartamentos em Fort Lauderdale, Miami, Atlanta e Nashville, que serão administrados pela startup.

O mercado parece dar nova confiança para Neumann, mesmo após a crise da WeWork.

A empresa de coworking chegou a valer US$ 47 bilhões, mas no final de 2019 beirou o colapso financeiro por causa da gestão de Neumann, o que obrigou a empresa a desistir de abrir seu capital.

O IPO acabou sendo frustrado em grande parte pela documentação (prospectus) que revelou o poder descontrolado de Neumann e vários potenciais conflitos de interesse, bem como as perdas impressionantes da WeWork.

Neumann acabou sendo demitido do cargo de CEO na WeWork, mas saiu da empresa com um pacote de centenas de milhões de dólares.

A WeWork entrou na bolsa de valores em 2021 por meio de uma empresa de aquisição de propósito específico (SPAC, na sigla em inglês), e tem um valor de mercado de cerca de US$ 4 bilhões.

"Adam é um líder visionário que revolucionou a segunda maior classe de ativos do mundo — o setor imobiliário comercial — trazendo comunidades e marcas para uma indústria que nem sequer as contemplava", escreveu Marc Andreessen em seu blog, explicando por que a a16z, decidiu realizar o maior investimento da história de seu fundo.

Segundo Andreessen, é natural que "Adam volte ao tema de conectar pessoas transformando seus espaços físicos e construindo comunidades no local onde as pessoas passam a maior parte do tempo: suas casas".

Quem é Adam Neumann, fundador da WeWork

Nascido em 1979 em Tel-Aviv, Neumann é disléxico e aprendeu a ler somente na terceira série. Entretanto, isso não lhe impediu de entrar no seleto grupo de empresários "visionários" do Vale do Silício.

O divórcio de seus pais na infância o levará a mudar frequentemente de cidade junto com sua mãe.

Particularmente significativa será a experiência em um kibutz, uma associação voluntária de trabalhadores israelenses fundada no conceito de propriedade coletiva.

Foi dessa experiência que Neumann obteve a inspiração para criar, junto com Miguel McKelvy, a WeWork, em 2010.

O objetivo ia além de alugar escritórios compartilhados, e visava mudar o mundo graças a um novo conceito de trabalho e de vida de comunidade.

Neumann se formou apenas em 2017, tendo abandonado o Baruch College, em Nova York, quando faltavam poucas provas para terminar o curso.

Dessa vida aventurosa surgiu a série WeCrashed, que retrata a epopeia da WeWork, com os atores Jared Leto e Anne Hathaway assumindo o papel de Adam Neumann e sua esposa Rebekah Paltrow, prima da atriz Gwyneth.

Outro documentário WeWork: Or the Making and Breaking of a $ 47 Billion Unicorn ("WeWork: Ou a criação e a destruição de um unicórnio de US$ 47 bilhões", na tradução em português), ajuda a entender a parábola do grupo de coworking é em grande parte atribuível à gestão da Neumann.

De acordo com a Forbes, a riqueza de Neumann acompanhou basicamente os altos e baixos de seus negócios e, portanto, o andamento da WeWork.

Se em 2019 lhe foi atribuído um patrimônio de US$ 4,1 bilhões, hoje Neumann deve se contentar com “apenas” US$ 1,4 bilhão.

Quem sabe se com o Flow voltará às antigas glórias. Desta vez, serão menos efêmeras do que a época da WeWork.