As ações da Volvo Cars, listadas na bolsa de Estocolmo, na Suécia, caíram mais de 25% nesta quinta-feira, no que caminha para o pior pregão da história da montadora sueca. O movimento veio após a divulgação de um resultado trimestral bem abaixo do esperado e de um alerta para um ambiente ainda mais difícil à frente.
A empresa registrou uma queda de 68% no lucro operacional do quarto trimestre, pressionada por tarifas americanas, efeitos cambiais negativos e demanda fraca, sobretudo na China. O lucro operacional ajustado somou 1,8 bilhão de coroas suecas (US$ 200,4 milhões), contra 5,6 bilhões de coroas no mesmo período do ano anterior.
À CNBC, Håkan Samuelsson, CEO da companhia, disse que a retirada de incentivos para veículos elétricos nos Estados Unidos e na China agravou o cenário. Ainda assim, o executivo destacou avanços internos, com redução de custos e fluxo de caixa positivo.
Uma desvalorização superior a 11,2% em um único dia já seria suficiente para marcar o pior desempenho diário da história da empresa na bolsa.
A pressão das tarifas segue como um dos principais riscos para a montadora. Em julho do ano passado, Estados Unidos e União Europeia fecharam um acordo comercial que prevê a aplicação de uma tarifa geral de 15% sobre a maioria dos produtos europeus — abaixo da ameaça inicial de 30% feita pelo governo Trump. No setor automotivo, a alíquota caiu de 27,5%, mas permaneceu elevada.
Na época, entidades industriais já alertavam para o aumento de custos e a perda de competitividade. A Volvo Cars é considerada, há anos, uma das montadoras europeias mais expostas às tarifas americanas, dado o peso dos EUA em suas vendas globais.
Olhando para frente, a empresa aposta no lançamento do EX60, seu novo SUV médio totalmente elétrico, cujas entregas devem ganhar tração no segundo semestre de 2026. Ainda assim, o tom é cauteloso.
A companhia alertou que o próximo ano tende a ser mais um período desafiador para o setor automotivo, com pressão contínua sobre preços, efeitos persistentes das tarifas, incerteza regulatória e menor confiança do consumidor nos principais mercados.
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