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Ações da Azul entram em queda livre e perdem 90% em um dia

Nos últimos cinco dias, a desvalorização se aproxima dos 100% em meio oferta de R$ 7,4 bilhões em ações

Avião da Azul (Getty Images)

Avião da Azul (Getty Images)

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 19h15.

As ações da Azul (AZUL54) desabaram 90,20% nesta quinta-feira, 8, ampliando para 98,61% a queda acumulada nos cinco primeiros pregões de 2026. O tombo reflete o impacto direto da ampla operação de aumento de capital concluída pela companhia nesta semana, no contexto do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.

A empresa colocou no mercado mais de 1,4 trilhão de novas ações, entre ordinárias e preferenciais, em uma operação que levantou cerca de R$ 7,4 bilhões. A emissão teve como objetivo principal converter credores em acionistas e reduzir o elevado endividamento da companhia, que ultrapassa os R$ 40 bilhões.

Com isso, o número de ações em circulação aumentou de forma expressiva, provocando uma diluição estimada em até 90% para os acionistas atuais, com possibilidade de impacto ainda maior para os minoritários. E é justamente essa diluição massiva que explica o colapso recente dos papéis.

Segundo Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, a queda é resultado direto da dinâmica de oferta e demanda. A entrada de um volume gigantesco de novas ações no mercado reduz o valor relativo de cada papel existente, pressionando os preços para baixo.

"O mercado costuma reagir mal a essas ofertas, basicamente. Há muita diluição no papel. Os investidores não confiam na recuperação mesmo com essa diluição em vista, o preço da emissão está muito abaixo das expectativas. Então a primeira reação de curto prazo é uma queda muito forte", afirmou Lage.

"É uma reprecificação do risco diante desse processo judicial, uma venda forçada ou tomada de lucro para investidores que não querem fazer a subscrição e uma alta expectativa de perda no valor do papel no curto prazo", acrescentou.

Azul em recuperação judicial

A pressão vendedora ganhou força com o início das negociações dos novos papéis, que passaram a ser agrupados em cestas para viabilizar a negociação na bolsa. As ações preferenciais começaram a ser negociadas sob o código "AZUL54", movimento que reflete a conversão de dívidas em ações prevista no plano de reestruturação aprovado pela Justiça dos Estados Unidos.

Embora a operação represente um avanço relevante no processo iniciado em maio do ano passado, quando a Azul recorreu ao Chapter 11, o impacto sobre as ações segue sendo determinado, sobretudo, pelos efeitos da diluição.

Em dezembro, mesmo após a Justiça americana aprovar o plano de recuperação judicial — com mais de 90% de apoio em todas as classes de credores —, os papéis já haviam reagido negativamente, passando a ser negociados na casa dos centavos.Na avaliação do mercado, o principal fator por trás dessas quedas é o redesenho da estrutura acionária da companhia.

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