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Zuckerberg cria IA para trabalhar por ele — e quer que seus funcionários façam o mesmo

O CEO da Meta está incentivando suas equipes a terem um assistente pessoal de IA para a rotina de trabalho

Mark Zuckerberg, CEO da Meta: executivo quer que funcionários trabalhem lado a lado com IA

Mark Zuckerberg, CEO da Meta: executivo quer que funcionários trabalhem lado a lado com IA

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 23 de março de 2026 às 15h04.

A Meta está desenvolvendo um assistente interno de IA para concentrar informações sobre projetos, planos e iniciativas da empresa em uma única ferramenta de conversa. Segundo o The Wall Street Journal, a iniciativa é incentivada por Mark Zuckerberg e faz parte de uma reorganização mais ampla da rotina de trabalho da companhia.

A proposta é que funcionários consigam acessar, por meio de perguntas feitas à IA, dados antes dispersos entre diferentes equipes e departamentos. Na prática, o sistema funcionaria como um assistente pessoal corporativo, reduzindo o número de interações necessárias até encontrar alguém capaz de responder com precisão a uma demanda específica.

O movimento integra um pacote de mudanças internas com o objetivo de tornar a Meta mais ágil diante da concorrência com startups menores, já estruturadas em torno de ferramentas de IA. Em conferência de resultados realizada em janeiro, Zuckerberg afirmou que a empresa está investindo em ferramentas nativas de IA para elevar a produtividade, ao mesmo tempo em que simplifica a estrutura das equipes.

"Estamos investindo em ferramentas nativas de IA para que os funcionários da Meta possam ser mais produtivos", disse o executivo, ao defender a valorização dos colaboradores individuais e uma operação mais enxuta. A fala se encaixa na estratégia da companhia de usar automação e novos sistemas internos para acelerar entregas sem depender apenas de expansão do quadro de pessoal.

O uso de agentes autônomos, softwares capazes de executar tarefas com menor intervenção humana, se tornou uma frente central nessa estratégia. No fim de 2025, segundo a reportagem, a Meta comprou a empresa Manus, de origem chinesa e sediada em Singapura, e integrou sua tecnologia ao Meta AI.

A aquisição reforçou a tentativa da companhia de competir com Anthropic, OpenAI e Google no mercado de IA. O acordo também teria incorporado à Meta toda a equipe da Manus, incluindo seus fundadores, num sinal de que a empresa busca acelerar desenvolvimento interno com compra de tecnologia pronta e de talentos especializados.

Agentes internos viram aposta enquanto modelo principal enfrenta atraso

Entre os sistemas já usados por funcionários estariam o My Claw, voltado à interação com agentes de outros colaboradores, e o Second Brain, criado por um empregado da Meta para facilitar o acesso a documentos internos. Hackathons e outras iniciativas ligadas a IA também têm sido usados para manter o aprendizado em circulação dentro da empresa.

Esse avanço, porém, ocorre num momento em que a Meta ainda tenta ajustar seu principal lançamento futuro na área. O modelo de codinome Avocado teve a estreia adiada para junho após resultados considerados fracos em testes comparativos com rivais, segundo o relato apresentado.

A empresa já teria direcionado US$ 600 bilhões para a construção de centros de processamento de dados, enquanto a projeção anual de investimentos ficaria entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões. A expectativa, ainda segundo o texto, é de crescimento de 30% na receita anual mesmo com quase o dobro de aporte financeiro. O contraste resume o momento da Meta: a empresa acelera gastos e reorganiza processos internos para não perder terreno na corrida da IA, mas ainda enfrenta pressão para transformar investimento pesado em produtos competitivos.

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