Repórter
Publicado em 21 de maio de 2026 às 07h48.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou que o material encontrado em uma propriedade rural no interior do Ceará é petróleo cru, após análises físico-químicas realizadas em laboratório.
A descoberta, inicialmente acidental durante a perfuração de um poço artesiano, agora entrou na fase de avaliação técnica para verificar se há potencial de exploração comercial na região.
O caso ocorreu em Tabuleiro do Norte, no Vale do Jaguaribe, e foi comunicado ao governo estadual após a confirmação da natureza do líquido. A depender dos próximos estudos, o proprietário da área pode ter direito a compensação financeira prevista em lei, entre 0,5% e 1% da produção futura.
A ANP informou que o material analisado no dia 19 corresponde a petróleo cru. O resultado foi encaminhado ao agricultor responsável pela perfuração e também à Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará, que pode adotar medidas de acompanhamento ambiental.
Com isso, a agência abriu um processo administrativo para mapear a estrutura geológica da área, estimar possíveis reservas e avaliar se existe viabilidade econômica para produção.
Segundo a ANP, a confirmação do petróleo não significa, por si só, que haverá exploração. A etapa atual é considerada preliminar e pode se estender por anos, dependendo da complexidade dos estudos.
A origem do achado remonta a novembro de 2024, quando o agricultor Sidrônio Moreira decidiu perfurar um poço em sua propriedade para garantir abastecimento de água à família, que enfrenta dificuldades hídricas na região.
O investimento foi feito com recursos próprios e empréstimos pessoais. No entanto, em vez de água, o que emergiu do solo foi um líquido escuro, espesso e com odor característico de combustível fóssil.
“Peguei o dinheiro da aposentadoria, fiz empréstimo e mandei cavar. Mas não saiu água. Saiu foi esse material”, relatou o agricultor.
Uma nova tentativa de perfuração, realizada a cerca de 50 metros do primeiro ponto, repetiu o resultado, reforçando o interesse de pesquisadores sobre a composição do material.
Pesquisadores do Instituto Federal do Ceará passaram a acompanhar o caso e identificaram características compatíveis com hidrocarbonetos semelhantes aos da Bacia Potiguar, uma das principais áreas produtoras do Nordeste, localizada entre Ceará e Rio Grande do Norte.
Técnicos da ANP visitaram o local meses depois da repercussão e consideraram o achado incomum, principalmente pela baixa profundidade em que o material foi encontrado, cerca de 40 metros.
A agência, no entanto, não realizou coleta direta de amostras no momento da visita, utilizando material previamente separado por pesquisadores locais para análise.
Com a confirmação da substância, o próximo passo será definir se o depósito pode ser enquadrado como reserva explorável. Isso depende de uma série de fatores, como volume estimado, qualidade do óleo, custos de extração e impacto ambiental.
Caso avance, a área pode ser transformada em bloco exploratório e incluída em leilões da ANP, onde empresas do setor disputam direitos de produção.
A legislação brasileira estabelece que o subsolo pertence à União, mesmo em áreas privadas. O proprietário da terra, no entanto, pode receber participação financeira caso haja exploração comercial viável.
*Com O Globo