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Sede da Uber em São Francisco (Bloomberg/Getty Images)
Redatora
Publicado em 13 de junho de 2026 às 05h05.
A Uber decidiu colocar um freio no uso de algumas ferramentas de inteligência artificial após esgotar, em apenas quatro meses, todo o orçamento previsto para a área em 2026.
A medida afeta principalmente softwares utilizados por desenvolvedores, como Claude Code e Cursor, e estabelece um teto mensal de gastos por funcionário.
A decisão chama atenção em um momento em que empresas de diferentes setores aceleram investimentos em IA, mas também começam a enfrentar uma realidade menos discutida: o custo elevado de operar essas tecnologias em larga escala.
Segundo informações divulgadas pela Bloomberg e confirmadas pela companhia, cada funcionário passou a ter um limite de US$ 1.500 por mês para cada ferramenta de programação baseada em IA utilizada. Caso seja necessário ultrapassar esse valor, é preciso apresentar uma justificativa e obter aprovação interna.
O controle de gastos surgiu após a própria Uber reconhecer que havia consumido todo o orçamento anual destinado à inteligência artificial antes mesmo do fim do primeiro semestre.
Em abril, o diretor de tecnologia da empresa, Praveen Neppalli Naga, afirmou que os recursos reservados para 2026 já haviam sido totalmente utilizados.
A situação ajuda a ilustrar um dos desafios da atual corrida pela IA: embora as ferramentas prometam ganhos de produtividade, elas também geram despesas significativas.
Modelos avançados exigem grande capacidade computacional, o que se traduz em custos elevados de processamento e uso.
Apesar da limitação, a medida não indica uma redução do interesse da Uber pela tecnologia. Pelo contrário. A empresa afirmou que o objetivo é incentivar uma adoção responsável e sustentável da IA em larga escala.
Nos últimos meses, executivos da companhia destacaram o aumento do uso dessas ferramentas em áreas como desenvolvimento de software, jurídico e marketing.
O CEO Dara Khosrowshahi chegou a afirmar que cerca de 10% do código da empresa já estava sendo produzido com auxílio de agentes de inteligência artificial.
Nesse contexto, o novo limite funciona mais como um mecanismo de governança do que como uma interrupção dos investimentos.
A decisão também revela outra questão enfrentada por empresas que investem pesadamente em IA: comprovar o retorno financeiro dessas iniciativas.
Embora ferramentas como Claude Code e Cursor possam acelerar tarefas e aumentar a produtividade das equipes, nem sempre é simples transformar esse ganho em resultados concretos para o negócio.
Em maio, o diretor de operações da Uber, Andrew Macdonald, reconheceu que ainda é difícil estabelecer uma relação direta entre o aumento do uso de IA e a entrega de mais produtos ou funcionalidades para os clientes.
Em outras palavras, a tecnologia está sendo utilizada cada vez mais, mas as empresas ainda buscam formas precisas de medir quanto desse investimento realmente se converte em crescimento ou receita.
A Uber não é a única companhia revisando seus gastos com inteligência artificial. Outras empresas também começaram a adotar mecanismos para controlar custos à medida que o uso dessas ferramentas se torna parte da rotina corporativa.
O episódio mostra que a próxima fase da corrida pela IA pode não ser marcada apenas pela adoção acelerada da tecnologia, mas também pela busca de equilíbrio entre inovação e sustentabilidade financeira.
Afinal, para as empresas, não basta usar mais inteligência artificial: é preciso garantir que os ganhos justifiquem a conta no final do mês.