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O avanço do Marco Legal da IA pode alterar a forma como empresas implementam e monitoram sistemas de inteligência artificial (Andressa Anholete/Getty Images)
Redatora
Publicado em 2 de junho de 2026 às 06h02.
Empresas que utilizam inteligência artificial para contratar funcionários, analisar dados, atender clientes ou automatizar processos podem ter novas obrigações nos próximos anos. Com o avanço acelerado da tecnologia, cresce também a discussão sobre limites, responsabilidades e fiscalização
Em tramitação na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 2338/2023, conhecido como Marco Legal da Inteligência Artificial, estabelece regras para o desenvolvimento e uso da tecnologia no Brasil, incluindo exigências relacionadas à transparência, avaliação de riscos e responsabilidade sobre decisões automatizadas.
As informações foram retiradas do texto do PL 2338/2023, aprovado pelo Senado Federal e atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados.
A proposta cria uma estrutura regulatória para o desenvolvimento e uso de sistemas de IA no Brasil e estabelece obrigações que podem impactar diretamente empresas que utilizam essas ferramentas em suas operações.
Um dos principais pontos do projeto é a classificação dos sistemas de inteligência artificial de acordo com o nível de risco que apresentam.
A lógica segue um modelo semelhante ao adotado pela União Europeia: quanto maior o potencial de impacto sobre direitos, segurança ou oportunidades das pessoas, maior tende a ser o nível de exigência regulatória.
Na prática, uma ferramenta usada apenas para organizar documentos internos não deve receber o mesmo tratamento regulatório que uma IA utilizada para selecionar candidatos a vagas de emprego, aprovar empréstimos ou realizar avaliações que possam afetar diretamente a vida de alguém.
Outro ponto que ganha destaque no projeto é a exigência de maior transparência.
Dependendo da classificação de risco do sistema utilizado, empresas poderão ter que demonstrar como determinada decisão foi tomada, quais dados foram utilizados e quais critérios influenciaram o resultado apresentado pela inteligência artificial.
Isso pode gerar impacto principalmente em áreas como recursos humanos, setor financeiro, saúde, seguros e atendimento ao consumidor, onde decisões automatizadas podem produzir efeitos relevantes sobre usuários e clientes.
O texto também prevê mecanismos de avaliação de impacto para determinados sistemas considerados de alto risco.
Na prática, empresas poderão precisar analisar previamente possíveis consequências da tecnologia antes de colocá-la em funcionamento, identificando riscos relacionados a discriminação, segurança, privacidade ou violações de direitos.
Essa exigência aproxima o uso de inteligência artificial de processos que já existem em áreas como proteção de dados e compliance, tornando a governança tecnológica uma preocupação cada vez mais estratégica.
Até pouco tempo, muitas organizações tratavam inteligência artificial apenas como ferramenta de produtividade. O avanço das discussões regulatórias muda esse cenário.
O PL 2338 propõe uma estrutura que distribui responsabilidades entre desenvolvedores, fornecedores e empresas que utilizam sistemas de IA, ampliando a necessidade de controle interno e acompanhamento jurídico sobre essas tecnologias.
Isso significa que a discussão deixa de envolver apenas inovação e eficiência operacional e passa a incluir gestão de risco, prestação de contas e conformidade regulatória.
O projeto ainda depende da conclusão da tramitação legislativa, mas já influencia a forma como empresas estão planejando a adoção de inteligência artificial.
Em vez de apenas perguntar quais tarefas podem ser automatizadas, muitas organizações começam a avaliar também quais responsabilidades podem surgir com o uso dessas ferramentas.
A tendência é que, nos próximos anos, saber utilizar IA de forma eficiente seja apenas parte da equação. Entender governança, transparência e gestão de risco pode se tornar igualmente importante.