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O acesso à inteligência artificial já não é o único desafio; especialistas apontam que saber utilizá-la de forma crítica será cada vez mais decisivo (Imagem gerada por IA)
Redatora
Publicado em 12 de julho de 2026 às 05h01.
Durante décadas, o acesso ao conhecimento foi determinado por fatores como renda, escolaridade e localização geográfica.
Hoje, uma pessoa com um celular conectado à internet pode pedir a uma inteligência artificial que explique conceitos de medicina, revise um contrato, traduza um texto ou ajude a aprender um novo idioma em poucos segundos.
Essa transformação fez surgir uma pergunta que vem mobilizando pesquisadores, governos e organismos internacionais: a inteligência artificial está reduzindo as desigualdades ou apenas criando uma nova forma de exclusão digital?
A resposta ainda está longe de um consenso.
Os defensores da tecnologia afirmam que, pela primeira vez, milhões de pessoas passaram a ter acesso imediato a uma espécie de tutor virtual capaz de responder dúvidas, resumir conteúdos, traduzir idiomas e auxiliar em tarefas antes restritas a especialistas.
Na educação, por exemplo, ferramentas de IA conseguem adaptar explicações ao nível de conhecimento do estudante, criar exercícios personalizados e reduzir barreiras linguísticas por meio da tradução automática.
Para a UNESCO, esse potencial pode ampliar oportunidades de aprendizagem, inovação e desenvolvimento econômico, desde que o acesso às ferramentas seja acompanhado por políticas públicas de inclusão digital e alfabetização em inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, pesquisadores alertam que o problema pode não estar mais apenas no acesso à internet, mas na capacidade de utilizar a IA de forma crítica e produtiva.
Ter acesso a um chatbot não significa, necessariamente, obter os mesmos benefícios. Usuários com maior nível de escolaridade tendem a formular perguntas mais precisas, verificar informações e interpretar melhor as respostas.
Já pessoas com menor letramento digital podem aceitar conteúdos incorretos sem questionamento ou utilizar apenas uma pequena parcela do potencial da tecnologia.
A própria UNESCO chama atenção para outro desafio: a concentração da infraestrutura de inteligência artificial em poucos países e grandes empresas.
Modelos avançados exigem enormes investimentos em processamento, dados e energia, recursos que permanecem concentrados principalmente nos Estados Unidos e na China. Isso pode fazer com que países em desenvolvimento dependam cada vez mais de tecnologias produzidas no exterior.
Especialistas afirmam que o principal diferencial dos próximos anos talvez não seja simplesmente saber usar inteligência artificial, mas entender quando confiar nela, como verificar informações e quais tarefas ainda exigem julgamento humano.
Nesse cenário, cresce a importância da chamada alfabetização em IA, que envolve competências como elaborar bons comandos, identificar limitações dos modelos, reconhecer possíveis erros e interpretar respostas de forma crítica.
Reduzir a desigualdade provocada pela inteligência artificial dependerá menos da tecnologia em si e mais da capacidade de governos, escolas e empresas garantirem acesso, infraestrutura e formação adequada para diferentes grupos da população.