Tecnologia

Pagamento com palma da mão deve chegar primeiro em supermercados

Tecnologia da Tencent já negocia com varejo alimentício no Brasil e promete reduzir fraudes com leitura de dados internos do corpo

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 11 de abril de 2026 às 09h40.

Última atualização em 11 de abril de 2026 às 09h56.

A promessa de usar o próprio corpo como senha digital ganhou uma nova camada com a chegada do PalmAI, tecnologia da Tencent Cloud, braço de computação em nuvem da gigante chinesa. Fontes ouvidas pela EXAME apontam que a solução, que transforma a palma da mão em identificador para pagamento, já tem um grande player do varejo na mira, com uma marca nacional de supermercados entre os primeiros a testar pagamentos com a tecnologia no final do semestre.

Diferentemente de sistemas como reconhecimento facial, leitura de íris ou impressão digital, o PalmAI combina dados visíveis com informações internas do corpo. A tecnologia lê desde textura e cor da pele até padrões vasculares, como veias, fluxo sanguíneo e calor, criando uma identidade difícil de replicar.

Essa diferença técnica dialoga com uma fragilidade conhecida do setor. Segundo dados apresentados pelas empresas, cerca de 60% das tentativas de fraude biométrica exploram a ausência de liveness detection, mecanismo que verifica se há uma pessoa real diante do sistema. Na prática, isso inclui ataques com fotos, vídeos ou moldes que conseguem enganar leitores tradicionais.

É nesse ponto que a Tencent posiciona o PalmAI como uma nova geração de autenticação. Ao utilizar dados internos e dinâmicos do corpo humano, a tecnologia consegue validar não apenas a identidade, mas a "vivacidade" do usuário, reduzindo a eficácia dessas tentativas de fraude.

O resultado é um sistema que permite transformar a palma da mão em uma espécie de carteira digital. Com um gesto, o usuário pode pagar compras, acessar serviços ou passar por catracas, sem cartão, celular ou senha.

A proposta já começou a sair do papel no Brasil. No ano passado, a Tencent procurou o metrô de Brasília para colocar essa tecnologia à prova em um teste de conceito. Desde setembro, o sistema opera em projeto piloto na capital federal.

Supermercados lideram adoção inicial no Brasil

A introdução do sistema no país é conduzida pela Treeal, parceira local da Tencent. Com essa aliança, o PalmAI entra em fase comercial, com busca ativa por clientes no mercado brasileiro.

As empresas já têm ao menos um cliente do varejo alimentício, um supermercado, em negociação ou implementação, o que coloca esse segmento como porta de entrada da tecnologia no país, além de conversas com uma instituição financeira.

Além da operação comercial, há também o início da montagem e fabricação do sistema no Brasil, movimento que pode reduzir custos e acelerar a expansão.

A identificação ocorre em menos de 300 milissegundos, segundo a empresa. A taxa de falsa aceitação é de 0,0000001%, enquanto a de rejeição indevida é de 0,01%, padrão do setor financeiro.

A Tencent afirma que o erro é menor do que o de tecnologias como reconhecimento facial. Ao mesmo tempo, o modelo elimina a necessidade de armazenar imagens dos usuários. Os dados são tokenizados e criptografados, reforçando o discurso de privacidade.

Na prática, o sistema opera no conceito "sem rosto, sem cartão, sem toque", alinhado a tendências como open finance, sistema de compartilhamento de dados financeiros, e à LGPD, Lei Geral de Proteção de Dados.

No Brasil, a Treeal será responsável por armazenar e proteger os dados cadastrais. A proposta é criar um ecossistema integrado em que o usuário faz um único cadastro e pode utilizá-lo em diferentes serviços, de varejo a transporte público.

A aposta da Tencent, já testada em mercados asiáticos, chega ao Brasil em um cenário de aumento das fraudes digitais. Ao priorizar o varejo alimentar como porta de entrada, a empresa tenta acelerar a adoção de pagamentos biométricos no cotidiano do consumidor.

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