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Tecnologia de IA brasileira pode derrubar uma das maiores barreiras de comunicação do país (Getty Images)
Jornalista
Publicado em 17 de junho de 2026 às 16h52.
Um estudante brasileiro desenvolveu um aplicativo que pode representar um avanço real para a inclusão de pessoas surdas no país. Gabriel Sales, estudante de Estatística da Universidade Federal Fluminense (UFF), criou o IA Libras, uma ferramenta que usa inteligência artificial para reconhecer e traduzir a Língua Brasileira de Sinais (Libras) em tempo real, pela câmera do celular ou computador. As informações foram divulgadas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR).
A proposta parte de um problema concreto e ainda muito presente na rotina de milhões de brasileiros: a dificuldade de comunicação entre usuários de Libras e pessoas que não dominam a língua de sinais. Em situações como consultas médicas, atendimentos em órgãos públicos, entrevistas de emprego e serviços bancários, a ausência de intérpretes ainda representa uma barreira real para o acesso a direitos básicos.
O aplicativo combina duas tecnologias de inteligência artificial: visão computacional e aprendizado de máquina. A primeira permite que o sistema identifique e interprete os gestos captados pela câmera. A segunda faz o aplicativo aprender a reconhecer os sinais de Libras a partir de grandes volumes de dados, aprimorando sua precisão com o uso.
Na prática, o usuário realiza os sinais diante da câmera do celular e o app converte os movimentos em texto compreensível para quem não conhece Libras, funcionando como uma ponte entre as duas formas de comunicação, sem precisar de intérpretes ou intermediários.
Os números ajudam a entender a relevância da iniciativa. Dados do IBGE indicam que cerca de 2,7 milhões de brasileiros têm deficiência auditiva. Quando se incluem pessoas com algum grau de perda auditiva, esse número pode chegar a 10 milhões.
Apesar disso, o conhecimento de Libras ainda é restrito a uma parcela pequena da população, e a oferta de intérpretes não acompanha a demanda em hospitais, escolas, empresas e repartições públicas. Na prática, isso significa que atividades simples do cotidiano como consultas médicas, entrevistas de emprego, atendimento ao público, se tornam inviáveis, comprometendo a autonomia de quem se comunica por meio da língua de sinais.
O IA Libras é um exemplo de como a inteligência artificial (IA) pode ser aplicada para além das soluções corporativas e industriais, chegando a problemas sociais concretos que afetam a vida de milhões de pessoas.
Ao reduzir uma das barreiras de comunicação mais persistentes do país, o projeto de Gabriel Sales mostra que inovação tecnológica, quando bem direcionada, tem potencial para ampliar o acesso a serviços, fortalecer a autonomia e tornar a participação social mais inclusiva.