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Com expertise americana, startup de US$ 1,3 bilhão quer criar império de logística no Brasil

Com aporte de R$ 20 milhões, a Loadsmart chega ao Brasil trazendo inteligência artificial para reduzir custos e otimizar o transporte e a logística

Loadsmart: startup de US$ 1,3 bilhão chega ao Brasil com foco em IA para logística

Loadsmart: startup de US$ 1,3 bilhão chega ao Brasil com foco em IA para logística

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 11h00.

Última atualização em 16 de setembro de 2026 às 11h57.

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A Loadsmart, empresa americana de tecnologia para transporte e logística avaliada em US$ 1,3 bilhão, anunciou sua chegada ao Brasil com investimento de R$ 20 milhões. Segundo o ILLOS, o custo logístico brasileiro atingiu 15,5% do PIB em 2025. A operação começa com o Opendock e prevê a oferta da Loadsmart AI para automatizar tarefas logísticas.


A Loadsmart, empresa americana de tecnologia para transporte e logística avaliada em US$ 1,3 bilhão, anuncia sua chegada ao Brasil com investimento de R$ 20 milhões destinados à operação local.

Segundo Felipe Capella, CEO e cofundador da empresa, em entrevista exclusiva à EXAME, a decisão foi tomada para reduzir o tamanho do gargalo logístico brasileiro.

Um levantamento anual do Instituto de Logística e Supply Chain (ILLOS) indica que o custo logístico brasileiro atingiu 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 (R$ 1,96 trilhão) — praticamente o dobro dos 8,8% do PIB registrados nos Estados Unidos no mesmo período, segundo o relatório "State of Logistics".

Capella afirma que a ineficiência é evidenciada na rotina das transportadoras. "Caminhões esperam em média 11 horas para descarregar em um centro de distribuição em São Paulo, enquanto nos Estados Unidos esse tempo fica abaixo de 2 horas", diz.

Além do gargalo, outro motivo para desembarcar no Brasil, segundo Capella, é a base de clientes no país. "Já tínhamos uma base de cerca de uma centena de clientes americanos que operam também no mercado brasileiro. O Brasil subiu na nossa lista de prioridades justamente por ser o mercado mais estratégico para liderar a nossa expansão pela América Latina", diz.

O primeiro produto oficial da empresa no país será o Opendock, plataforma de agendamento de frete e gestão de pátios que já atende mais de 4 mil armazéns e processa milhões de agendamentos por ano em mais de 20 países.

"O produto é exatamente a nossa porta de entrada e o primeiro produto que estamos trazendo oficialmente para o mercado brasileiro", afirma Capella.

A empresa também trará a Loadsmart AI, sua solução de inteligência artificial (IA) para automação de tarefas logísticas — segundo ele, a experiência americana mostra que "dois terços das tarefas repetitivas de grandes embarcadores podem ser automatizadas com agentes de IA".

Segundo Capella, o aporte de R$ 20 milhões será direcionado principalmente para estruturar as equipes de Vendas, Soluções e Implantação de IA no Brasil, com o objetivo de permitir que grandes empresas implementem automação no sistema de logística em apenas 60 dias.

Parcerias com sindicatos e associações, não operação isolada

A empresa não pretende atuar sozinha no país. "Nosso objetivo é atuar em parceria com o ecossistema brasileiro, o que será fundamental para o nosso sucesso", diz Capella, citando parceria já estabelecida com a Associação Brasileira de Logística(Abralog) e diálogo com sindicatos de transportadores, especialmente em São Paulo e no Paraná, para debater soluções conjuntas para filas de espera e ineficiência no setor.

Segundo Capella, a Loadsmart AI já executa de forma autônoma tarefas como negociações no mercado spot, coleta e processamento de documentos, e acompanhamento de carga com checagens automáticas de localização e agendamento. Um exemplo citado por ele é o recurso batizado de Smart Inbox.

"Quando um cliente recebe um e-mail com uma fatura ou comprovante de entrega, a IA identifica o documento, extrai os dados, realiza a conciliação e lança tudo automaticamente no sistema correto. A IA identifica, decide e age sobre a carga, e o especialista humano só precisa intervir quando surge uma exceção fora do padrão", diz.

Ele começou com um caminhão e hoje comanda uma das empresas de logística que mais cresce no país

Nos Estados Unidos, segundo ele, grandes embarcadores americanos conseguem reduzir o custo por tarefa em 83%, acelerar o tempo de conclusão em 80% e economizar centenas de horas manuais por semana com a ferramenta.

Para ele, o efeito sobre as equipes internas dos clientes gerou redirecionamento das atividades, não corte. "Isso libera o time interno dos nossos clientes para focar em decisões estratégicas e na resolução de problemas complexos, em vez de ficar preso em digitação, chamadas telefônicas e tarefas administrativas", afirma.

A diferença entre os dois mercados: como o tempo é precificado

Para Capella, a maior distância entre a logística americana e a brasileira não é tecnológica, mas cultural.

"A principal diferença reside no nível de digitalização e na forma como o tempo é precificado. Enquanto nos Estados Unidos o tempo de espera do caminhão é tratado como um custo rígido do sistema pago pelo embarcador, no Brasil ele ainda é visto como uma etapa natural do processo de frete", afirma.

Segundo ele, o Brasil ainda depende fortemente de planilhas, e-mails e ligações telefônicas para processos que já são automatizados em outros mercados.

Questionado se a infraestrutura logística do país exigiria adaptações pesadas, Capella descarta essa necessidade para o Opendock. "Por ser uma solução em modelo SaaS puro rodando em nuvem, a mesma instância atende desde gigantes globais da logística até um armazém individual com uma única doca", diz.

Como uma empresa mineira de engenharia virou um grupo de R$ 2 bilhões

Ele também aponta compatibilidade regulatória: a Resolução 6.084 da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) já prevê tabela de frete mínimo de "Alta Performance", até 22,2% mais barata para quem garante carga e descarga em até três horas — meta que a automação da empresa ajudaria a viabilizar.

Sobre a Loadsmart AI, Capella destaca que os agentes funcionam sem exigir a adoção de um novo software pelo cliente, já que "mimetizam comportamentos humanos" e interagem por e-mail, mensagem e chamada de voz — canais que já existem em qualquer empresa.

Segundo ele, isso permite que provas de conceito com grandes empresas sejam desenvolvidas em 60 dias, e a projeção da companhia é que, até 2030, 75% das tarefas repetitivas de logística em grandes embarcadores sejam executadas por agentes de IA.

Concorrência local, diferenciação pela velocidade

Sobre os concorrentes já identificados no Brasil, Capella os descreve como soluções "legado".

Segundo ele, o diferencial da Loadsmart está em três pontos: velocidade de implantação — "cerca de duas semanas, enquanto outros projetos de mercado chegam a levar até 18 meses" —, modelo SaaS puro sem customizações pesadas por cliente, e reconhecimento global do Gartner em usabilidade, com adoção por multinacionais como DHL, Cargill, Volvo e L'Oréal.

A empresa projeta que o mercado internacional responda por 30% do faturamento da divisão de tecnologia até 2030. Segundo Capella, o Brasil não é uma aposta isolada dentro dessa estratégia — e a Loadsmart já mantém time estruturado no México, atendendo toda a América Latina de língua espanhola, além de expansão em andamento no Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Holanda e Polônia.

O argumento para vencer a resistência de motoristas

Para lidar com a resistência natural de motoristas e operadores de armazém à automação, Capella aposta no argumento financeiro direto.

Ele cita o caso da Red Gold, cliente americana líder na comercialização de tomates, onde 100% dos transportadores hoje fazem agendamento de forma autônoma.

"Cada hora de caminhão parado custa R$ 240 e pode significar a perda de um frete no dia. Quando a tecnologia reduz uma espera incerta de 11 horas para uma janela garantida de carregamento, o transportador ganha produtividade e ainda consegue se enquadrar na tabela de frete de alta performance da ANTT, economizando mais de R$ 1.000 por viagem", afirma.

Sobre a necessidade de treinar modelos de IA especificamente para a realidade brasileira, Capella explica que o processo é de ajuste, não de construção do zero.

"O que acontece no Brasil não é uma coleta de dados à parte, mas sim uma calibragem natural: à medida que embarcadores, transportadoras e armazéns brasileiros passam a operar na nossa plataforma, os próprios modelos aprendem com os padrões operacionais do dia a dia — como tempos de retenção em pátio, taxas de pontualidade e documentos como faturas e comprovantes de entrega", diz.

Operação local será comercial; desenvolvimento segue centralizado

A estrutura inicial da empresa no Brasil ficará concentrada em vendas, soluções, implantação e marketing — não em engenharia de produto.

Segundo Capella, o desenvolvimento tecnológico continua integrado globalmente, embora a empresa já conte hoje com cerca de 150 brasileiros em sua equipe global.

Para os primeiros 12 meses de operação no país, Capella diz que o foco estará na construção de autoridade de marca, geração de pipeline por meio de estratégias de marketing baseado em contas (ABM) e presença em eventos do setor, como Intermodal e Intralogística.

"O sucesso será medido pela conversão da nossa base inicial de 100 contas multinacionais no país, pela conquista de novos embarcadores brasileiros e pelo fortalecimento da Loadsmart como referência em modernização logística no Brasil", afirma.


Perguntas frequentes

Quanto a Loadsmart investirá no Brasil? +

A Loadsmart investirá R$ 20 milhões na operação brasileira. Segundo Felipe Capella, CEO e cofundador da empresa, o aporte será destinado principalmente às equipes de Vendas, Soluções e Implantação de IA.

Por que a Loadsmart decidiu entrar no mercado brasileiro? +

A Loadsmart chegou ao Brasil para ajudar a reduzir o gargalo logístico e atender sua base de cerca de 100 clientes americanos com operações no país, segundo Felipe Capella. O CEO afirma que o Brasil é o mercado mais estratégico para liderar a expansão da empresa na América Latina.

O que é o Opendock, primeiro produto da Loadsmart no Brasil? +

O Opendock é uma plataforma de agendamento de frete e gestão de pátios que atende mais de 4 mil armazéns e processa milhões de agendamentos por ano em mais de 20 países. Segundo Felipe Capella, a solução SaaS em nuvem pode ser usada tanto por grandes empresas quanto por armazéns com uma única doca.

Como a Loadsmart AI automatiza tarefas logísticas? +

Segundo Felipe Capella, a Loadsmart AI negocia fretes no mercado spot, processa documentos e acompanha cargas com checagens automáticas de localização e agendamento. O recurso Smart Inbox identifica documentos recebidos por e-mail, extrai os dados, realiza a conciliação e registra as informações no sistema correto.

Quais resultados a Loadsmart AI alcançou nos Estados Unidos? +

Segundo Felipe Capella, grandes embarcadores americanos reduziram o custo por tarefa em 83%, aceleraram a conclusão das atividades em 80% e economizaram centenas de horas de trabalho manual por semana. O CEO afirma que a automação redirecionou as equipes para atividades estratégicas, em vez de provocar cortes.

Qual é o tamanho do gargalo logístico brasileiro? +

Segundo levantamento anual do Instituto de Logística e Supply Chain, o custo logístico brasileiro atingiu 15,5% do PIB em 2025, equivalente a R$ 1,96 trilhão. Felipe Capella afirma que caminhões esperam, em média, 11 horas para descarregar em um centro de distribuição em São Paulo, ante menos de duas horas nos Estados Unidos.

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