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Repórter
Publicado em 24 de abril de 2026 às 16h12.
Grandes provedores de nuvem, como Microsoft e Amazon, estão direcionando estoques de GPUs da Nvidia para equipes internas e grandes clientes corporativos. A disputa por capacidade computacional deixou startups menores de IA enfrentando filas mais longas e preços mais altos para treinar e operar modelos.
A escassez afeta empresas apoiadas por fundos importantes do Vale do Silício, entre eles Sequoia Capital, Founders Fund, General Catalyst e Andreessen Horowitz. Funcionários da Microsoft estimam que os prazos de espera por GPUs em serviços de nuvem devem continuar pelo menos até o fim de 2026.
O custo também subiu. De acordo com a SemiAnalysis, contratos anuais de aluguel da GPU H100, da Nvidia, chegaram a US$ 2,35 por hora em março, ante US$ 1,70 em outubro de 2025. A alta foi de quase 40% em seis meses, pressionando empresas que dependem de grande volume de processamento.
Na Microsoft, clientes interessados nos chips Blackwell, nova geração da Nvidia, precisam se comprometer com o aluguel de pelo menos 1.000 unidades por um ano. Esses contratos podem chegar a dezenas de milhões de dólares. A empresa também aplica uma política de “use ou perca”, em que o acesso pode ser revogado caso os servidores fiquem ociosos por algumas horas.
O cenário lembra a crise de GPUs de 2023, quando provedores de nuvem priorizaram projetos internos e clientes estratégicos, como a OpenAI. Agora, a pressão é maior por causa da demanda por ferramentas de programação com IA e pelo crescimento de empresas como a Anthropic.
Muitas startups também estão vendo contratos de nuvem de dois a três anos vencerem, o que aumenta o poder de barganha dos provedores. A Microsoft passou a segmentar seus clientes, dando prioridade a cerca de 1.000 empresas com maior gasto em nuvem.
Ao mesmo tempo, há sinais de uso ineficiente. Um relatório da Cast AI apontou que 95% da capacidade de GPU provisionada em milhares de organizações fica ociosa, reflexo de compras acima da necessidade por medo de perder acesso futuro.
Fundos de venture capital, capital de risco, começaram a buscar alternativas. A General Catalyst avalia criar pools compartilhados de computação e negociar diretamente em nome de startups. Alguns fundadores também estudam comprar GPUs, uma saída cara, mas que pode ser mais previsível diante dos preços cobrados por grandes provedores.