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Startups brasileiras criam modelos de IA menores e mais baratos que gigantes globais (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 14h21.
Enquanto parte da indústria de tecnologia segue investindo em modelos de inteligência artificial cada vez maiores, uma tendência oposta ganha espaço no mercado corporativo: os small language models, ou SLMs, sistemas mais compactos e especializados.
O mercado global de SLMs deve saltar de US$ 0,93 bilhão em 2025 para US$ 5,45 bilhões até 2032, um crescimento anual de quase 29%, segundo a consultoria MarketsandMarkets.
Um SLM costuma ter entre 1 bilhão e 10 bilhões de parâmetros, unidade que mede a capacidade de um modelo de aprender padrões. Já os modelos de linguagem grandes (LLMs) chegam a centenas de bilhões.
A diferença não é só de tamanho. LLMs são treinados em grandes volumes de dados genéricos da internet, buscando responder a qualquer pergunta. SLMs usam bases de dados menores e específicas, voltadas a uma função ou setor.
Boa parte dos SLMs usa quantização, processo que converte cálculos de alta precisão em versões mais simples, reduzindo o tamanho do modelo e acelerando as respostas sem exigir servidores potentes.
A escolha por modelos compactos costuma envolver fatores práticos:
Para setores como saúde e jurídico, rodar um modelo dentro da própria infraestrutura reduz riscos de exposição de dados a terceiros.
No Brasil, a startup Maritaca AI lançou em janeiro o Sabiazinho-4, modelo especializado em legislação brasileira que atingiu 85% de acurácia em testes com base no exame da OAB, a um custo bem inferior ao de modelos internacionais equivalentes.
Outro exemplo é o Jurema 7B, desenvolvido pela NeuralMind em parceria com o Escavador e financiado com recursos da Finep. O modelo é aberto e voltado ao domínio jurídico.
A ascensão dos SLMs muda a forma como empresas estruturam seus sistemas de IA.
Em vez de depender de um único modelo para tudo, times de tecnologia passam a combinar vários modelos menores, cada um responsável por uma tarefa específica, coordenados por uma camada de roteamento.
A NVIDIA descreve essa lógica com a metáfora de peças de Lego: módulos que podem ser adicionados, substituídos ou atualizados sem exigir a reconstrução de todo o sistema.
Modelos menores não substituem os grandes em todas as situações. Quando o objetivo é resolver uma tarefa ampla e genérica, LLMs continuam sendo a opção mais indicada.
Mas quando latência, custo ou controle sobre os dados pesam mais do que a capacidade máxima, os SLMs tendem a ser a escolha mais eficiente.