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Os planos de Jensen Huang no Japão: robôs, chips e uma fábrica de IA soberana

Parcerias com gigantes da robótica, uma fábrica nacional de IA e acordos para chips mostram como a Nvidia quer transformar o Japão no laboratório da IA física

Jensen Huang: executivo viajou para o Japão na semana passada (Wikimedia Commons/Fundo gerado por IA/Exame)

Jensen Huang: executivo viajou para o Japão na semana passada (Wikimedia Commons/Fundo gerado por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 20 de julho de 2026 às 11h01.

Em uma visita de dois dias a Tóquio na semana passada, Jensen Huang, CEO da Nvidia, mirou o chão de fábrica japonês. Durante a viagem, o executivo fechou acordos que atravessam todo o ecossistema tecnológico do país — e vão de uma fábrica nacional de inteligência artificial (IA) a parcerias com as maiores empresas de robótica do Japão e contratos com fornecedores de materiais para chips.

A tese que ele levou é a mesma que vem defendendo desde o GTC 2026, mas agora aplicada a um país específico. "A próxima fronteira da IA está no mundo físico, e esta é uma oportunidade de uma geração para o Japão", afirmou Huang. "O Japão inventou a manufatura moderna. Agora, tem a chance de reinventá-la para a era das indústrias inteligentes."

A aliança com os gigantes da robótica

O anúncio central veio na última quinta-feira, 16.

A Nvidia informou que passa a colaborar com quatro companhias japonesas no desenvolvimento de robótica e IA: a Fujitsu, a Fanuc, a Yaskawa Electric e a Kawasaki Heavy Industries. As quatro devem integrar a aliança liderada pela Nvidia em torno da plataforma Cosmos.

Huang apareceu ao lado dos executivos-chefes das empresas — Takahito Tokita, da Fujitsu; Kenji Yamaguchi, da Fanuc; Masahiro Ogawa, da Yaskawa; e Yasuhiko Hashimoto, da Kawasaki. "Com a IA, os robôs vão se tornar inteligentes, facilmente adaptáveis e acessíveis", disse o executivo no evento.

Na divisão dos trabalhos, o Japão tem os fabricantes de robôs; a Nvidia tem os chips e a camada de software. A disputa dali em diante é sobre quem transforma isso em máquinas que de fato funcionam.

Um novo modelo para robôs

Junto com as parcerias, a empresa apresentou o Cosmos 3 Edge, um novo modelo de IA voltado a robôs e agentes de visão computacional.

Trata-se de um "modelo de mundo", projetado para ajudar sistemas a perceber e navegar por ambientes físicos em tempo real — uma categoria que aprende a partir de uma gama de dados mais ampla que a dos modelos de linguagem.  O lançamento sucede o Cosmos 3, apresentado em maio.

A fábrica de IA do governo japonês

O acordo de maior peso, porém, é estatal. No lançamento da Iniciativa de IA Física do governo, Huang dividiu o palco com Ryosei Akazawa, ministro da Economia, Comércio e Indústria do Japão.

O país reuniu cerca de 44 empresas domésticas — com SoftBank, Sony, NEC e Honda no centro — para construir sua própria IA voltada a robôs, veículos e linhas de produção.

Tóquio vai comprometer até 1 trilhão de ienes, ou cerca de US$ 6,2 bilhões, ao longo de cinco anos nessa aposta em "IA física". O Japão quer ser dono do cérebro de software — mas o hardware para construí-lo continua vindo da Nvidia.

A americana erguerá uma "fábrica de IA Vera Rubin", um data center com 13.750 CPUs Vera e 27.500 GPUs Rubin, sua próxima geração de chips, com 140 megawatts de capacidade e previsão de entrar em operação em 2028. O consórcio Noetra ficará à frente da construção.

"O Japão não pode terceirizar sua inteligência nacional", disse Huang durante o evento em Tóquio, resumindo o argumento da chamada IA soberana — a ideia de que cada país precisa de infraestrutura e modelos próprios.

A dívida de 30 anos com a Sega

A viagem teve também um capítulo sentimental, com uma função estratégica.

No dia 15, Huang foi a Akihabara para comemorar os 30 anos da parceria entre Nvidia e Sega, ao lado do executivo Shoichiro Irimajiri.

A história explica a reverência. Em 1996, a Nvidia era uma pequena empresa de chips à beira da falência, e a Sega investiu cerca de US$ 5 milhões que mantiveram a operação de pé — capital que permitiu à companhia lançar o RIVA 128, em 1997, e chegar ao tamanho que tem hoje.

"Sem a indústria japonesa de games, que liderou os gráficos em 3D, nem a Nvidia de hoje nem a tecnologia de IA existiriam", afirmou Huang.

A visita ainda serviu para reparar um mal-estar diplomático. Uma viagem anterior do executivo incluiu paradas na Coreia do Sul e em Taiwan, mas pulou o Japão — episódio que a imprensa local apelidou de "Japan passing".

Desta vez, além dos eventos oficiais, Huang jantou em um izakaya no bairro de Kanda com mais de 30 executivos de 16 empresas da cadeia de suprimentos japonesa, de equipamentos para semicondutores a memória, materiais e componentes eletrônicos.

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