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Profissional da KPMG revela como usa inteligência artificial para atender clientes (Justin Johnsen/Business Insider)
Jornalista
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 11h56.
Última atualização em 22 de setembro de 2026 às 12h01.
Uma reportagem do Business Insider mostra como a inteligência artificial está alterando a rotina de profissionais que trabalham diretamente com clientes. O caso envolve Justin Johnsen, engenheiro da KPMG que atua como forward-deployed engineer, função que combina tecnologia, consultoria e trabalho próximo ao cliente.
Segundo Johnsen, quando começou na KPMG, o desenvolvimento de software era feito essencialmente de forma manual. Hoje, parte relevante de seu trabalho envolve usar IA para analisar informações, estruturar dados e produzir soluções para diferentes projetos.
O cargo de forward-deployed engineer também ajuda a entender a mudança. Em vez de receber uma demanda, desenvolver uma solução e simplesmente entregá-la, esse profissional acompanha o problema desde a identificação da necessidade até a implementação.
A atuação envolve conversar com as equipes, entender o contexto do negócio, desenvolver a solução e treinar os funcionários do cliente para utilizá-la.
Um dos pontos destacados pelo engenheiro da KPMG é a mudança no principal obstáculo de seu trabalho. Segundo ele, o desenvolvimento deixou de ser o único gargalo e passou a dividir espaço com uma tarefa anterior: reunir contexto e definir a intenção.
Isso acontece porque modelos de inteligência artificial dependem das informações fornecidas para produzir resultados úteis. Quanto mais complexo o problema, maior pode ser a necessidade de dados, regras, objetivos e informações sobre o negócio.
No caso relatado ao Business Insider, Johnsen passou meses reunindo requisitos e refinando o contexto de um projeto antes de utilizar IA para desenvolver uma aplicação. Depois dessa etapa, a aplicação foi entregue em aproximadamente um mês.
A experiência também mudou a demanda do cliente. Depois de observar o processo, a empresa pediu que o profissional ajudasse suas equipes a adotar as práticas de inteligência artificial e de elaboração de prompts utilizadas no projeto.
Outro exemplo apresentado na reportagem envolve uma aplicação de avaliação de riscos. A solução reúne diferentes sinais utilizados para determinar o risco de fazer negócios com determinado cliente ou parceiro.
A inteligência artificial é utilizada para analisar esses sinais e gerar uma pontuação que pode ser considerada posteriormente por avaliadores humanos. O modelo, portanto, não elimina a etapa de análise, mas passa a fazer parte dela.
O profissional também relata que uma parcela crescente do desenvolvimento está migrando para atividades relacionadas a dados e integração de sistemas. Empresas possuem informações espalhadas por diferentes aplicações, sistemas antigos e serviços em nuvem.
Nesse cenário, uma das funções do profissional passa a ser conectar essas fontes e organizar as informações para que sistemas de IA consigam utilizá-las.
O caso da KPMG mostra uma transformação que pode alcançar diferentes profissões: algumas tarefas executadas manualmente podem ser aceleradas, enquanto outras passam a ganhar importância.
Entre elas estão:
Um estudo baseado em um experimento de campo com cerca de 6.000 trabalhadores de diferentes setores encontrou redução no tempo dedicado a e-mails entre participantes que tiveram acesso a uma ferramenta de IA generativa. O efeito foi mais evidente em tarefas que podiam ser modificadas individualmente, enquanto atividades que dependiam de coordenação com outras pessoas sofreram menos alterações.
Isso ajuda a explicar por que o impacto da inteligência artificial não se resume à substituição de uma tarefa. Em muitos casos, a tecnologia modifica como o profissional distribui seu tempo.
Na avaliação do engenheiro da KPMG, a inteligência artificial permite reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas e abrir mais espaço para atividades que exigem julgamento humano.
Isso não significa que o conhecimento técnico tenha perdido importância. Pelo contrário. O profissional precisa saber quais informações fornecer ao sistema, avaliar se a resposta faz sentido e identificar limitações ou erros.
Para trabalhadores de diferentes áreas, a mudança pode significar uma combinação entre conhecimento profissional e fluência em IA. Um analista financeiro, por exemplo, pode utilizar modelos para organizar informações, mas continua responsável por compreender os indicadores e verificar se a interpretação é adequada.
O mesmo princípio pode ser aplicado a marketing, recursos humanos, engenharia, direito, operações e outras áreas nas quais profissionais trabalham com grandes volumes de informação.
No caso da KPMG, a própria função do engenheiro passou a envolver não apenas construir uma solução, mas também ensinar o cliente a utilizá-la. A entrega inclui aplicação, documentação, boas práticas e transferência de conhecimento.