O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2026 (Lia Rizzo/Exame)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 11h48.
Última atualização em 22 de setembro de 2026 às 12h26.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em seu discurso durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que o Brasil não vai ceder a pressões contrárias ao Pix, em referência às queixas dos Estados Unidos sobre a infraestrutura de pagamentos brasileira.
O presidente brasileiro fez um discurso repleto de contrapontos à política externa dos Estados Unidos e de recados ao governo de Donald Trump contra eventuais tentativas dos americanos de intervenção nas eleições brasileiras.
Lula, porém, não fez citações nominais a Trump e aos EUA. O presidente brasileiro afirmou que,"apesar do tarifaço", o Brasil é o terceiro destino de investimento direto no mundo.
"Não vamos ceder a pressões de multinacionais que querem privatizar a infraestrutura de pagamento pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros", disse o presidente brasileiro.
No âmbito das negociações sobre o tarifaço imposto pelo governo de Trump a exportações brasileiras, as autoridades americanas têm argumentado que o Pix representaria concorrência desleal com meios de pagamento dos EUA porque é uma infraestrutura grátis e operada pelo governo.
Lula durante discurso na ONU (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)
"No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do poder legislativo. Vamos decidir entre democracia e negacionismo, se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão. Teremos um pleito transparente e competitivo, em que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão", disse Lula.
Em outro recado à articulação da família Bolsonaro com o governo dos EUA, Lula apontou:
"Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país. Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha."
"Construímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Ele conta com o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre. Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano", afirmou Lula.
Segundo Lula, o Brasil "não cabe no quintal de ninguém".
"Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para a maior integração. Os países da região reconheceram os horrores do regime de exceção e percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular", disse Lula, em referência indireta à predominância de governos de direita na América do Sul.
Lula também disse que "a democracia está novamente em xeque, voltando a se presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", em um recado ao que seu governo entende como tentativas dos EUA de interferir no processo eleitoral brasileiro.