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CEO da Nvidia diz que IA pode abrir espaço para profissões que não exigem diploma (Wikimedia Commons)
Jornalista
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 11h17.
O avanço da inteligência artificial está criando uma demanda que vai além de engenheiros de software, cientistas de dados e especialistas em tecnologia. Para Jensen Huang, CEO da Nvidia, a expansão dos data centers também deve impulsionar profissões técnicas ligadas à construção e manutenção dessa infraestrutura.
Durante a cerimônia de formatura da Carnegie Mellon University, em maio de 2026, Huang citou eletricistas, encanadores, trabalhadores de estruturas metálicas, técnicos e profissionais da construção como ocupações que podem se beneficiar do novo ciclo de investimentos em IA.
A lógica é direta: quanto maior a infraestrutura necessária para treinar e executar modelos de inteligência artificial, maior a necessidade de pessoas capazes de instalar equipamentos, construir instalações e manter esses sistemas funcionando.
Para quem trabalha, a mudança amplia a discussão sobre quais competências podem ganhar valor no mercado. A questão não é apenas se um diploma universitário continuará sendo importante, mas quais conhecimentos e habilidades serão necessários em diferentes profissões.
Modelos de inteligência artificial dependem de uma infraestrutura física. Data centers precisam de energia, sistemas de refrigeração, redes, equipamentos e estruturas capazes de operar continuamente.
Na avaliação de Huang, esse processo pode criar uma nova onda de demanda por trabalhadores especializados. Em entrevista ao Channel 4, o executivo afirmou que seriam necessários centenas de milhares de profissionais como eletricistas, encanadores e carpinteiros para construir novas instalações.
A Nvidia também publicou o discurso de Huang na Carnegie Mellon. Segundo o executivo, a inteligência artificial não estaria criando apenas uma nova indústria de computação, mas uma nova fase de industrialização.
Isso ajuda a explicar por que algumas profissões que não dependem de uma graduação tradicional podem ganhar relevância no mesmo período em que determinadas atividades administrativas passam a ser automatizadas.
As declarações de Huang não significam que a faculdade esteja deixando de ser relevante. Dados do World Economic Forum mostram um cenário mais complexo.
O Future of Jobs Report 2025 aponta que 43% dos empregadores pesquisados esperam continuar utilizando a formação universitária como requisito para contratação até 2030. Além disso, 14 dos 15 empregos que mais devem crescer proporcionalmente no período exigem, em geral, formação universitária.
Ao mesmo tempo, o relatório identifica uma mudança na forma como empresas avaliam candidatos. Experiência profissional, habilidades práticas e avaliações de competências ganham espaço ao lado das credenciais acadêmicas.
Isso cria um mercado com diferentes caminhos de qualificação. Para algumas carreiras, a graduação continua sendo uma porta de entrada. Para outras, cursos técnicos, experiência prática e certificações podem ter maior peso. A formação necessária depende da ocupação.
A expansão da infraestrutura de IA é apenas uma parte da transformação. O relatório do World Economic Forum também aponta crescimento esperado para funções relacionadas a tecnologia, dados e inteligência artificial.
Entre as áreas com maior crescimento percentual projetado até 2030 estão:
Ao mesmo tempo, profissões ligadas à construção, transporte, cuidados pessoais, educação e produção também aparecem entre as funções com crescimento projetado em números absolutos.
A diferença está no tipo de habilidade exigida. Enquanto algumas ocupações dependem de conhecimento digital avançado, outras exigem habilidades físicas, técnicas ou interpessoais que não são facilmente substituídas por sistemas automatizados.
Para profissionais que já trabalham, a transformação pode acontecer dentro da própria ocupação. Uma pessoa não precisa necessariamente migrar para uma carreira de tecnologia para ser afetada pela inteligência artificial.
O World Economic Forum estima que 39% das principais habilidades exigidas no mercado de trabalho deverão mudar até 2030. Entre as competências que mais devem crescer estão IA e big data, letramento tecnológico, pensamento criativo, liderança, capacidade analítica e aprendizagem contínua.
Isso significa que a atualização profissional pode se tornar parte cada vez mais importante da trajetória de carreira.
O avanço da inteligência artificial também amplia a discussão sobre o que significa estar preparado para uma carreira. O diploma continua sendo requisito ou diferencial em muitas áreas, enquanto outras podem valorizar mais experiência prática e conhecimentos específicos.
No caso das profissões técnicas citadas por Huang, a expansão dos data centers mostra que a economia da IA depende tanto de profissionais que desenvolvem os modelos quanto de trabalhadores responsáveis pela infraestrutura que permite sua operação.
Para quem já está no mercado, o cenário combina formação, experiência e atualização. A qualificação profissional tende a assumir formatos diferentes conforme a ocupação e as habilidades exigidas.