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Profissionais editam perfis no LinkedIn para incluir IA e revelam tendências do mercado de trabalho (Imagem gerada por IA)
Jornalista
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 15h32.
Um movimento curioso no mercado de trabalho foi observado: profissionais estão voltando a experiências antigas no LinkedIn para incluir referências a inteligência artificial, GPT e LLM.
O fenômeno foi identificado em um estudo do National Bureau of Economic Research (NBER), que analisou versões mensais de 29,4 milhões de perfis de usuários do LinkedIn nos Estados Unidos entre 2020 e janeiro de 2026. O estudo foi divulgado pelo portal Business Insider.
De acordo com o estudo, as inclusões retroativas de termos como “AI”, “GPT”, “LLM” e “artificial intelligence” em experiências profissionais anteriores aumentaram mais de seis vezes desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022.
A prática recebeu dos pesquisadores o nome de “time travel”, ou “viagem no tempo”. Isso acontece quando uma pessoa altera o título ou a descrição de um cargo que ocupou no passado, mesmo anos depois de ter deixado aquela posição.
Entre os profissionais analisados, 19,7% fizeram algum tipo de alteração retroativa em um cargo anterior. O comportamento foi mais frequente em áreas como tecnologia e informação, nas quais 31,6% dos trabalhadores fizeram esse tipo de edição.
As mudanças não significam necessariamente que o profissional esteja inventando uma experiência. Em muitos casos, a pessoa pode estar detalhando uma atividade que já realizava ou usando uma terminologia que se tornou mais comum posteriormente.
Entre os termos que passaram a aparecer mais nos históricos estão:
Um exemplo seria um profissional de marketing que, anos depois, atualiza a descrição de uma função antiga para informar que utilizava ferramentas de IA na produção ou análise de conteúdo, caso essa atividade realmente fizesse parte de seu trabalho.
Segundo os pesquisadores, as alterações costumam ocorrer próximas de mudanças de emprego. Isso indica que os perfis podem estar sendo atualizados para refletir habilidades consideradas relevantes no momento em que o profissional busca uma nova oportunidade.
O movimento também acompanha uma mudança na forma como empresas avaliam candidatos. O próprio LinkedIn aponta que habilidades técnicas e estratégicas relacionadas à IA, como engenharia de prompts, grandes modelos de linguagem e estratégia de IA, estão entre as competências que ganharam espaço em 2026.
Para o profissional, isso significa que saber usar inteligência artificial pode ser relevante, mas é preciso conseguir demonstrar onde e como essa habilidade foi aplicada.
Enquanto as referências à inteligência artificial aumentaram, o estudo identificou redução na inclusão de termos relacionados ao trabalho remoto, como “remote”, “work from home” e “WFH”.
No fim de 2025, a frequência com que esses termos eram adicionados a experiências antigas ficou próxima da frequência com que eram removidos. Os pesquisadores também identificaram queda nas novas menções a termos relacionados a diversidade, equidade e inclusão a partir de 2025.
O comportamento mostra que o LinkedIn não funciona apenas como um registro estático da carreira. O perfil também pode ser atualizado conforme mudam as prioridades percebidas pelos profissionais e pelo mercado.
A pesquisa traz uma orientação prática para quem pretende adaptar o próprio perfil: não basta inserir palavras-chave. A habilidade precisa estar relacionada a uma experiência real.
Antes de atualizar o histórico, vale verificar:
O próprio LinkedIn vem ampliando mecanismos para que profissionais possam demonstrar proficiência em ferramentas de IA, inclusive por meio de habilidades verificadas em plataformas parceiras.
O estudo do NBER também chama atenção para um problema de interpretação. Os pesquisadores estimam que uma fotografia dos perfis feita em 2026 poderia superestimar em cerca de 30% a presença de habilidades relacionadas à IA nos históricos profissionais de 2022.
Por isso, atualizar o perfil pode ajudar a tornar uma experiência mais clara, mas adicionar competências que não foram efetivamente utilizadas pode comprometer a credibilidade do profissional.
Para quem trabalha, a principal aplicação prática é revisar o LinkedIn não apenas para adicionar “IA”, mas para explicar como a tecnologia faz parte do trabalho.
Em vez de escrever apenas “experiência com inteligência artificial”, por exemplo, é mais informativo indicar a atividade realizada, a ferramenta utilizada e o resultado obtido.
Esse tipo de descrição permite que recrutadores entendam não apenas se o profissional conhece IA, mas o que ele consegue fazer com ela.
Dê o primeiro passo e comece hoje!