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Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 15h48.
Última atualização em 24 de agosto de 2026 às 16h16.
A Claro Empresas ampliou nesta segunda-feira, 24, durante a Febraban Tech 2026, sua aposta em infraestrutura de inteligência artificial voltada ao setor financeiro.
A operadora apresentou uma oferta de GPUs (os processadores usados para treinar e rodar modelos de IA) com redução de até 50% no custo em relação à compra direta do hardware, e lançou o Claro STT, ferramenta de transcrição de áudio por IA voltada a centrais de atendimento bancário.
Não é a primeira investida da empresa nesse terreno. Em junho, a EXAME já havia mostrado o lançamento do mesmo modelo de aluguel de GPU voltado a pequenas e médias empresas, com a lógica de pagar só pela capacidade usada, faturamento em reais e suporte em português.
O discurso de Claro se apoia fortemente em três palavras que viraram mantra do setor: governança, soberania e LGPD. Segundo a empresa, rodar IA em nuvem localizada no Brasil resolve um problema regulatório concreto para bancos, que precisam garantir a residência de dados sensíveis em território nacional para atender ao Banco Central e à Lei Geral de Proteção de Dados.
“Em setores regulados, como o Financeiro, que lidam com informações sensíveis e precisam seguir rigorosamente as regras da LGPD e do Banco Central. E, neste sentido, a infraestrutura nacional oferecida pelas GPUs da Claro empresas resolve um dos maiores desafios da era digital, garantindo a residência do dado em território nacional”, afirma Maria Teresa Lima, diretora-executiva Claro empresas para Governo.
O argumento não é exclusividade da Claro, nem o tema central, por acaso. A 36ª edição do Febraban Tech adotou como mote "Agentes inteligentes, liderança humana", e reuniu na abertura os CEOs de Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Nubank, Santander, Caixa e BTG (do mesmo grupo controlador da EXAME), sinal de que a discussão sobre onde e como rodar IA deixou de ser papo de fornecedor de tecnologia e virou pauta de CEO.
Na mesma feira, a Lenovo apresentou solução concorrente, prometendo rodar IA generativa em ambiente local sem depender de GPUs caras, com discurso quase idêntico sobre blindagem regulatória e soberania de dados.
O Claro STT tenta resolver um problema operacional comum a call centers: hoje, a checagem de qualidade das ligações costuma cobrir apenas entre 5% e 10% das chamadas, por amostragem manual. Segundo piloto interno conduzido pela própria Claro, a ferramenta permite transcrever 100% das chamadas diárias, substituindo a amostragem, e teria impulsionado a conversão de vendas em 10% no teste.
Vale o registro: os números vêm de teste interno da empresa que vende o produto, sem auditoria independente divulgada, o tipo de dado que costuma aparecer em lançamentos de fornecedor e que qualquer comprador faria bem em pedir para replicar em ambiente próprio antes de decidir.
É também o mesmo tipo de tecnologia que já preocupa especialistas por outro motivo: quanto mais sofisticada fica a IA de voz em call centers, maior fica também o risco de fraudes baseadas em clonagem e deepfake de voz, tema que já apareceu em edições anteriores do próprio Febraban Tech.