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Por que a próxima aposta da Nvidia pode revolucionar indústria de IA

Com acordos com Lumentum e Coherent, Nvidia tenta garantir capacidade para redes ópticas que ainda precisam ser construídas

 Nvidia: empresa faz nova aposta para revolucionar mercado de IA (Imagem gerada por IA)

Nvidia: empresa faz nova aposta para revolucionar mercado de IA (Imagem gerada por IA)

Publicado em 29 de maio de 2026 às 12h17.

Última atualização em 29 de maio de 2026 às 12h20.

Em março deste ano, a Nvidia anunciou dois acordos estratégicos simultâneos que passaram relativamente despercebidos no calor do debate sobre chips e modelos de linguagem.

A empresa investiu US$ 2 bilhões na Lumentum Holdings e mais US$ 2 bilhões na Coherent Corp, duas empresas americanas especializadas em fotônica de silício, tecnologia que transmite dados como pulsos de luz em vez de sinais elétricos por fios de cobre.

O total de US$ 4 bilhões não é um investimento financeiro comum.

Cada acordo inclui, além da participação acionária, compromissos de compra de vários bilhões de dólares por componentes avançados de laser e direitos de acesso a capacidade futura — o que significa que a Nvidia está essencialmente reservando capacidade de produção que ainda não existe, para atender a uma demanda que projeta para daqui a três a cinco anos.

"A IA reinventou a computação e está impulsionando a maior construção de infraestrutura computacional da história", disse Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, em comunicado oficial publicado pelo Nvidia Newsroom. "Com a Lumentum, a Nvidia está avançando a fotônica de silício mais sofisticada do mundo para construir a próxima geração de fábricas de IA em escala de gigawatt."

O problema que a fotônica resolve

Para entender por que a Nvidia está apostando bilhões em fotônica, é preciso entender o gargalo que a tecnologia resolve.

Dentro de um data center de IA, milhares de GPUs precisam trocar dados entre si em velocidade suficiente para que o processamento paralelo faça sentido. Historicamente, esse tráfego viajava por cabos de cobre.

O problema é que o cobre tem limites físicos e degrada o sinal em distâncias mais longas, consome mais energia por bit transmitido e gera calor proporcional à velocidade.

A fotônica de silício substitui os sinais elétricos por pulsos de luz dentro de cabos de fibra óptica, e isso muda a equação em praticamente todos os eixos relevantes.

Com vantagens sobre o cobre em largura de banda, latência, consumo de energia, calor e resiliência, a fotônica de silício tem muito a oferecer.

Jensen Huang, da Nvidia

Jensen Huang: executivo é o CEO da empresa mais valiosa do mundo (ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / Colaborador/Getty Images)

A Nvidia já usa as tecnologias das duas empresas em seus produtos atuais. As switches Spectrum-X da Nvidia (plataformas Ethernet aceleradas projetadas para aumentar a velocidade e eficiência de redes em data centers de IA) já usam lasers da Lumentum e fotônica de silício da Coherent.

O próximo passo é mais ambicioso. O Spectrum-X Ethernet Photonics da Nvidia integra óptica co-empacotada diretamente no ASIC, superando os limites da sinalização elétrica em fábricas de IA de grande escala.

Com até 409,6 terabits por segundo de largura de banda, o produto estará disponível no segundo semestre de 2026 e entrega 5 vezes mais eficiência energética e 10 vezes mais resiliência de rede em comparação com transceivers ópticos conectáveis tradicionais, de acordo com a própria Nvidia.

A estratégia dos dois fornecedores

Um detalhe da estrutura dos acordos revela a lógica estratégica da Nvidia. Ambos os acordos são não exclusivos — o que significa que a Lumentum e a Coherent continuam livres para fornecer a outros clientes.

É uma escolha estratégica que sugere que a Nvidia quer expandir todo o ecossistema de fotônica de silício, em vez de bloquear o fornecimento.

Ao mesmo tempo, a divisão igual do investimento entre dois fornecedores revela uma estratégia deliberada de diversificação de cadeia de suprimentos, algo que a Nvidia aprendeu da maneira mais difícil quando ficou dependente de poucos fabricantes no pico da escassez de semicondutores de 2022 e 2023.

Ao apostar nos dois, a empresa garante capacidade sem criar dependência.

O efeito colateral é que a Nvidia efetivamente trancou o acesso prioritário à produção de lasers EML, que são componentes críticos para a fotônica de silício de próxima geração.

O compromisso de US$ 4 bilhões empurrou os prazos de entrega para todos os outros compradores além de 2027.

O que Huang disse na GTC de março

"Quando você olha para a cadeia acima, chega à conclusão de que estamos começando a escalar nossa tecnologia de fotônica de silício", disse Huang na GTC em março, apontando para a plataforma de networking Ethernet da Nvidia usada para conectar fábricas de IA e clusters de GPU.

Ele também disse que a empresa estava começando a adicionar fotônica à sua tecnologia de interconexão GPU a GPU.

"O que significa que a quantidade de capacidade de tecnologia de fotônica de silício que precisamos é substancialmente maior do que o mundo tem hoje. Por isso trabalhamos com a cadeia de fornecimento para ajudá-los a construir a capacidade com antecedência", disse Huang, segundo a CNBC.

O ecossistema que se forma ao redor

A Nvidia não está sozinha nesse movimento. A AMD se juntou à Nvidia em uma rodada de financiamento da Ayar Labs e adquiriu a startup Enosemi em 2025, além de fazer investimentos em equity na Teramount e na Celestial AI, de acordo com a CNBC.

Em abril de 2026, a Marvell adquiriu a Polariton Technologies, uma startup de fotônica de silício e modulação avançada.

O mercado reagiu com entusiasmo. As ações da Lumentum subiram 134% desde o início do ano, enquanto a Coherent subiu 96%. A Marvell viu suas ações crescerem 122% em 2026 e a Corning, 111%.

O mercado global de tecnologias de networking para data centers chegou a US$ 45,8 bilhões em 2025 e deve crescer para US$ 103 bilhões até 2030. O segmento de transceivers ópticos sozinho foi avaliado em US$ 8,42 bilhões em 2025.

O risco geopolítico que ninguém menciona

A concentração da China no fornecimento global de índio, o material base para os substratos de fosfeto de índio usados em lasers EML, introduz um risco geopolítico que o investimento em fabricação nos EUA sozinho não consegue resolver completamente sem diversificação de materiais upstream.

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É o mesmo tipo de dependência que os EUA tentaram resolver com a Lei CHIPS para semicondutores, e que agora se replica na cadeia de fotônica.

A aposta da Nvidia em construir novas fábricas em solo americano é uma resposta parcial a esse risco. Parcial porque o problema começa antes da fábrica — começa na mina.

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