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Como funcionam os cabos submarinos que sustentam a internet global

No Brasil, a infraestrutura permite a interconexão não apenas do País, mas de toda a América Latina com outras regiões do mundo

O funcionamento começa em estações de aterragem localizadas na costa, onde os cabos submarinos se conectam às redes terrestres.

O funcionamento começa em estações de aterragem localizadas na costa, onde os cabos submarinos se conectam às redes terrestres.

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Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 13h45.

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Embora a navegação na internet pareça invisível, grande parte das informações que circulam entre países e continentes percorre um caminho físico bem definido: os cabos submarinos. Instalados no fundo dos oceanos, esses sistemas formam a espinha dorsal da rede mundial de computadores e são responsáveis por mais de 90% do tráfego internacional de dados.

Esses cabos são compostos, em maior parte, por fibras ópticas — filamentos de vidro mais finos que um fio de cabelo, capazes de transmitir informações por meio de pulsos de luz em velocidades próximas à da luz. Ao longo de milhares de quilômetros, repetidores instalados em intervalos regulares reforçam o sinal, evitando perdas de qualidade até mesmo em travessias intercontinentais.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), trata-se de uma infraestrutura estratégica. No caso brasileiro, esses cabos permitem a interconexão não apenas do País, mas de toda a América Latina com outras regiões do mundo. “O primeiro cabo submarino do Brasil foi instalado em 1857, com a inauguração da primeira de uma linha de comunicações telegráficas no Estado do Rio de Janeiro”, destaca a agência em publicação institucional.

O funcionamento começa em estações de aterragem localizadas na costa, onde os cabos submarinos se conectam às redes terrestres. A partir desses pontos, os dados são distribuídos por redes de fibra óptica que alcançam cidades, empresas, data centers e residências. Fortaleza (CE) se consolidou como um dos principais hubs desse sistema no Brasil, ao lado de Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Santos (SP).

Proteção reforçada

A estrutura dos cabos é projetada para resistir às condições extremas do fundo do mar. Além das fibras ópticas centrais, há camadas de isolamento, blindagem metálica e armaduras de aço, que protegem contra pressão, corrosão e impactos externos. Em áreas próximas à costa, onde há maior risco de danos por âncoras e pesca, a proteção costuma ser reforçada.

Pela relevância econômica e estratégica, os cabos submarinos são classificados como infraestruturas críticas. De acordo com a Anatel, são ativos que, se interrompidos, podem provocar “sério impacto social, econômico, político, internacional ou à segurança nacional”. Por isso, a agência incorporou a proteção física e a segurança cibernética dessas redes ao Regulamento de Segurança Cibernética Aplicada ao Setor de Telecomunicações, aprovado em 2020.

“O mapeamento dos cabos submarinos, bem como a gestão de riscos dessas infraestruturas, são atividades conduzidas pela Anatel”, destaca a agência. As empresas responsáveis devem fornecer informações periódicas sobre seus sistemas, conforme regras específicas de coleta de dados setoriais.

Expansão

A implantação de novos cabos envolve um processo complexo de licenciamento. Além da Anatel, são exigidas autorizações da Marinha, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Secretaria do Patrimônio da União, além do cumprimento de normas estaduais e municipais nas áreas de ancoragem e redes terrestres.

O alto custo dos projetos faz com que muitos cabos sejam operados por consórcios formados por operadoras de telecomunicações, provedores de internet e grandes empresas de tecnologia. A expansão dessa infraestrutura acompanha o crescimento do consumo de dados, impulsionado por streaming, computação em nuvem e inteligência artificial.

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