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O futuro do varejo com a inteligência artificial (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 3 de julho de 2026 às 11h48.
A inteligência artificial vem transformando diferentes setores da economia, e o varejo está entre os que mais incorporam a tecnologia. De lojas físicas a plataformas de comércio eletrônico, empresas utilizam sistemas inteligentes para automatizar processos, entender o comportamento dos consumidores e tomar decisões com base em dados.
O movimento já aparece nos números: o mercado global de IA aplicada ao varejo foi avaliado em US$ 12,4 bilhões em 2025 e deve crescer para US$ 16,54 bilhões em 2026, com projeção de alcançar US$ 105,88 bilhões até 2034.
Uma das principais aplicações da inteligência artificial está na automação de tarefas repetitivas. Sistemas inteligentes conseguem monitorar estoques, prever a demanda por determinados produtos e reduzir desperdícios.
No Brasil, essa transformação já deixou de ser experimental e avança em ritmo mais acelerado do que em mercados tradicionalmente mais maduros em tecnologia. Segundo o Consumer Pulse 2026, da Bain & Company, o percentual de brasileiros que usam ferramentas de inteligência artificial saltou de 60% para 77% em apenas um ano, um avanço que já supera o índice de adoção registrado nos Estados Unidos.
Esse ritmo de adoção também aparece do lado das empresas. Um levantamento feito pela CRMBonus e pela Wake com 307 executivos do varejo nacional, o IA Survey 2026, mostra que 79% dos respondentes reconhecem que a inteligência artificial já tem impacto significativo em seus negócios ou terá em curtíssimo prazo.
Chatbots e assistentes virtuais conseguem responder dúvidas, acompanhar pedidos e recomendar produtos durante 24 horas por dia. Quando integrados ao histórico de compras, esses sistemas oferecem respostas mais relevantes para cada consumidor.
A pesquisa da Bain & Company mostra que essa disposição já é concreta entre os brasileiros: em diversas categorias, mais de 60% afirmam que fariam compras online com o apoio de um assistente de compras baseado em IA.
A inteligência artificial também melhora a eficiência operacional. Redes varejistas conseguem prever rupturas de estoque, organizar centros de distribuição e otimizar rotas de entrega, reduzindo custos e prazos. Um case do setor de alimentos documentado pela AWS ilustra o potencial de ganho.
A varejista MRL elevou a acurácia de previsão de demanda de 24% para 76%, reduziu o desperdício em até 30%, melhorou a disponibilidade de produtos nas prateleiras de 80% para 90% e registrou aumento de 25% no lucro bruto após adotar IA na gestão de estoque.
Outra aplicação importante é a personalização. Plataformas digitais utilizam IA para recomendar produtos com base no histórico de navegação, preferências e compras anteriores. O impacto no resultado comercial pode ser significativo: recomendações inteligentes de produtos podem triplicar a receita, mais que dobrar as taxas de conversão e impulsionar o ticket médio em até 50%.
E o consumidor brasileiro já sinaliza abertura a esse modelo: a Bain & Company identificou que os brasileiros manifestam disposição para transferir mais da metade de suas compras online para assistentes virtuais de IA — um apetite maior do que o observado em mercados mais estabelecidos.
A implementação exige investimentos em infraestrutura, qualidade dos dados e capacitação das equipes. O IA Survey 2026 revela que o principal obstáculo não é orçamentário: para 46% das empresas, a maior barreira para avançar é a falta de conhecimento interno
Nos próximos anos, a tendência é que a inteligência artificial esteja presente em praticamente todas as etapas da jornada de compra. Lojas deverão ampliar o uso de sistemas capazes de integrar canais físicos e digitais, automatizar operações e oferecer experiências mais personalizadas.
O IA Survey 2026 mostra que a maioria das varejistas nacionais não monitora ativamente como é mencionada por assistentes de IA, o que expõe a lacuna entre a velocidade do consumidor e a velocidade de resposta das empresas.
Para profissionais do setor, cresce a importância de desenvolver competências relacionadas à análise de dados, automação e uso estratégico da inteligência artificial — justamente para reduzir essa distância entre o que o mercado brasileiro já demanda e o que as empresas ainda estão aprendendo a entregar.