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Marcelo Wendling, CTO do Grupo OLX: a IA virou assistente do cliente e braço direito do funcionário (Reprodução)
Repórter
Publicado em 3 de julho de 2026 às 10h53.
A OLX colocou seu marketplace dentro do ChatGPT: quem procura um carro ou um produto usado pode agora descrever o que quer em linguagem natural e receber, na própria conversa com o assistente da OpenAI, uma lista de anúncios com foto e preço.[/grifar] A integração é a face mais visível de uma aposta em agentes de inteligência artificial que a companhia quer ampliar em 1.600% ainda este ano — e que, no cenário traçado pela empresa, leva a um futuro em que a maior parte das compras e vendas online será fechada por agentes de IA negociando entre si.
Muito além do ChatGPT: as startups brasileiras que constroem IA própriaControlada pela Prosus, dona do iFood, e pela Adevinta, a OLX vê na IA com capacidades autônomas uma forma de acelerar buscas, atendimento e operações internas. A conexão com o ChatGPT é a ponta voltada ao consumidor: a ferramenta interpreta o pedido em linguagem natural e devolve os anúncios disponíveis no portal.
Os números ajudam a explicar a aposta. Entre janeiro de 2023 e agosto de 2025, a ferramenta da OpenAI gerou mais de 6,1 milhões de visitas de referência para os maiores varejistas brasileiros, segundo a consultoria Similarweb. Para a OLX, isso mostra o assistente conversacional funcionando como porta de entrada para sites de compra e venda.
“Estamos focados em fazer com que cada colaborador da companhia tenha uma IA trabalhando com ele e para ele. Por esse motivo, estamos apostando na IA Agêntica, que é capaz de sair da resposta para a ação, potencializando as entregas e resultados”, afirma Marcelo Wendling, CTO do Grupo OLX.
Segundo o executivo, a meta da espalhar IA pela operação vem de um movimento começado em 2024, de descentralização e governança para que os 1.200 funcionários da companhia criem soluções de IA no próprio dia a dia.
O investimento em tecnologia, produto e marketing deve chegar a R$ 440 milhões ao longo do ano, 30% mais que em 2025. Parte vai para soluções internas criadas em hackathons e imersões, entre elas uma viagem à China para observar como empresas inovadoras aplicam tecnologia na operação.
No primeiro trimestre de 2026, a receita da OLX cresceu 11% ante o mesmo período do ano anterior, e a companhia espera fechar 2026 acima disso, puxada por automóveis e imóveis. Em autos, o motor é o segmento premium; em imóveis, os lançamentos. Na compra e venda de usados, a intermediação de pagamentos e entregas cresceu 30% no trimestre.
A OLX diz que todos os clientes já têm alguma experiência com agentes de IA. Esses sistemas resolvem 40% dos problemas reportados, num volume de 39 mil atendimentos por mês; os 60% restantes seguem para o suporte humano.
Entre as ferramentas em uso está o Jarvis, agente que apoia engenharia e tecnologia em três frentes: monitoramento de produtos, alerta de instabilidades com sugestão de ações e acompanhamento de métricas. Outro é o Joca, voltado a demandas de RH e integrado aos demais agentes internos. A empresa também criou um componente de IA que gera código-base a partir de telas desenhadas no Figma — o que, segundo Wendling, deve cortar em até 85% o tempo desse tipo de trabalho.
Para Wendling, a IA vai assumir partes cada vez maiores da própria transação, além de apoiar quem compra e vende. No futuro, afirma o executivo, a maior parte das transações online será feita por agentes de IA negociando com outros agentes de IA.
A criação de anúncios também deve ficar mais automática, na visão dele: bastaria apontar a câmera do celular para um objeto e a IA escreveria a descrição, sugeriria o preço, publicaria o anúncio e responderia às primeiras dúvidas dos compradores, sem formulário nem troca de mensagens básicas.
O CTO ainda projeta sistemas de IA atuando como validadores de reputação e autenticidade, com auditoria visual automática de veículos e imóveis, análise de vídeos e cruzamento instantâneo de históricos de cartório. A promessa é encurtar a burocracia nas transações de carro e de imóvel, embora a escala desse modelo ainda dependa de adoção tecnológica, integração de dados e confiança dos usuários.