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Peter Thiel: empresário apostou no ChatGPT (Gage Skidmore /Wikimedia Commons)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 25 de agosto de 2026 às 08h01.
Logo depois do lançamento do ChatGPT, a OpenAI quase mudou de estratégia. Segundo o CEO Sam Altman, o crescimento explosivo do produto parecia instável demais para a empresa apostar todas as fichas nele — e havia, internamente, uma lista de cinco ou seis projetos alternativos sendo cogitados.
A decisão de continuar apostando no chatbot, segundo Altman, veio de um conselho direto do investidor Peter Thiel, cofundador do PayPal e um dos primeiros apoiadores da OpenAI.
"O melhor conselho que Peter Thiel já me deu foi: 'Foque no que está funcionando.' Parece simples, mas é incrivelmente fácil de perder de vista", disse Altman, em entrevista ao podcast Founders, apresentado por David Senra.
Segundo Altman, Thiel enxergou no ChatGPT algo que a própria OpenAI ainda não tinha percebido com clareza: uma repetição, décadas depois, do que a barra de busca do Google havia representado para o Vale do Silício.
"Ele o comparou à caixa de busca do Google — uma caixa de texto em branco onde o usuário digita qualquer coisa e o sistema acerta", afirmou o executivo.
Para Thiel, essa interface simples era a primeira grande novidade em 20 anos no setor de tecnologia.
"Fazer qualquer outra coisa além de continuar isso é claramente um erro", teria dito Thiel a Altman, segundo o relato do CEO da OpenAI. "Ele me convenceu a ignorar o barulho e focar tudo no ChatGPT. Ele estava certíssimo", disse.
Altman também citou a influência de Paul Graham, cofundador da aceleradora de startups Y Combinator, onde o próprio Altman foi presidente antes de assumir a OpenAI.
Segundo ele, a lição central de Graham sempre foi a de "fazer algo que as pessoas queiram". Essa filosofia — de lançar produtos cedo e deixar o mercado apontar o caminho — moldou boa parte da cultura da OpenAI, ainda que a empresa tenha rompido com esse manual em um ponto crucial: passou quatro anos e meio sem lançar nenhum produto comercial, dedicada apenas à pesquisa.
Para Altman, tanto Thiel quanto Graham compartilham uma característica rara: a disposição de defender convicções fora do consenso. "São pensadores não lineares, que pensam a partir de primeiros princípios e têm coragem de defender convicções impopulares", disse o executivo.