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DeepSeek: empresa não se pronunciou sobre o assunto ainda (Samuel Boivin/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 16h48.
O DeepSeek virou a ferramenta preferida de hackers chineses para escalar ataques cibernéticos, segundo levantamento da empresa de pesquisa taiwanesa Team T5.
De acordo com a pesquisa, grupos cibernéticos ligados ao Estado chinês mais que dobraram o volume de ataques depois que começaram a usar o modelo de código aberto (e outros semelhantes) para automatizar tarefas rotineiras e desenvolver softwares maliciosos mais avançados.
Segundo os pesquisadores, nem sempre é possível identificar com precisão qual modelo foi usado em cada invasão, mas o DeepSeek se popularizou entre os hackers do país muito mais por sua acessibilidade do que por sua sofisticação técnica.
A escolha chama a atenção justamente por não recair sobre o modelo de inteligência artificial (IA) mais poderoso disponível na China. A startup chinesa Moonshot, por exemplo, já lançou um sistema mais avançado, o Kimi K3 — mas, segundo a Team T5, ele é caro demais para o uso rotineiro de que os hackers precisam.
O DeepSeek, ao contrário, combina desempenho relativamente alto com pouquíssimas barreiras de segurança e baixo custo de operação, o que o torna a opção prática para quem precisa rodar ataques em escala.
"O DeepSeek é a IA preferida dos hackers chineses porque é relativamente poderoso, com barreiras de segurança muito baixas. Modelos ocidentais são bastante procurados, mas as barreiras deles são muito mais rígidas e exigem muito mais esforço para serem contornadas", disse Charles Li, analista-chefe da Team T5, de acordo com a Bloomberg.
Segundo a empresa, o DeepSeek e outros modelos abertos vêm sendo aplicados em várias etapas de um ataque — do reconhecimento inicial de alvos até a geração de código para explorar vulnerabilidades específicas.
A Team T5 diz ter reunido, nos últimos meses, scripts e registros mostrando o uso da ferramenta por hackers ligados ao Estado chinês.
Um grupo identificado como Grimfengxi teria usado o modelo para criar códigos de exploração de falhas; outro, batizado de Huapi, o utilizou para atacar o sistema de e-mail de uma empresa taiwanesa; um terceiro, chamado Teleboyi, recorreu à ferramenta para coletar mil endereços de IP e mapear os domínios de uma companhia-alvo.
Em alguns casos, os invasores chineses preferiram usar modelos desenvolvidos nos Estados Unidos. A empresa de cibersegurança CyCraft relatou que uma companhia especializada em vender software de invasão usou o ChatGPT durante um ataque contra um think tank ocidental: depois de obter uma cópia do banco de dados local do aplicativo Signal de um funcionário, a partir de um computador comprometido, os hackers consultaram o chatbot para ajudar a construir um módulo capaz de decifrar esses dados, segundo capturas de tela analisadas pela Bloomberg.
Ferramentas da Anthropic também já foram usadas de forma indevida. Um grupo identificado como Slime22 conseguiu operar o Claude Code para se movimentar dentro dos sistemas de uma empresa de tecnologia taiwanesa, segundo a Team T5.
Depois de invadir a rede da companhia, o grupo configurou sua própria instância do Kali, plataforma conhecida por testes de penetração, e pediu ao Claude para conduzir movimentações laterais dentro do sistema comprometido — driblando as barreiras de segurança do modelo ao se passar por um engenheiro realizando testes legítimos de cibersegurança.
A Anthropic já bloqueia o acesso de empresas controladas pela China aos seus serviços. No ano passado, a companhia relatou que hackers ligados ao governo chinês usaram o Claude Code, em setembro, para executar de forma autônoma ataques contra 30 organizações — entre elas grandes empresas de tecnologia, instituições financeiras, fabricantes químicos e agências governamentais.
Segundo a empresa, os invasores enganaram a ferramenta para que ela tentasse se infiltrar nesses alvos, no que foi descrito como o primeiro caso documentado de um ciberataque em larga escala conduzido sem intervenção humana substancial.