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Sam Altman: dono do ChatGPT critica posicionamento de líderes de IA (X/Reprodução)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 10h01.
Para Sam Altman, CEO da OpenAI, a dona do ChatGPT, afirmou que os líderes do setor de inteligência artificial (IA) "fizeram um trabalho terrível" ao explicar ao público os riscos e benefícios da tecnologia.
Em entrevista ao podcaster David Senra, Altman criticou o tom que boa parte da indústria vem adotando para falar com a sociedade sobre o avanço da IA.
"O 'caros camponeses, vamos conceder a vocês esses presentes de uma cura para o câncer e riqueza material e um ótimo entretenimento, e vocês parem de reclamar, e nós vamos tomar todas as decisões sobre o futuro e só confiar em nós, seremos ditadores benevolentes.' Isso não é bom. Não é bom", disse o executivo.
Segundo ele, executivos de IA frequentemente afirmam publicamente que a tecnologia tem chance considerável de causar uma catástrofe, mas seguem desenvolvendo-a mesmo assim. "Muita gente que constrói IA tem dito: 'Há 25% de chance de destruirmos o mundo, e mesmo assim vamos avançar para fazer isso, porque, senão, os caras ruins vão fazer isso primeiro'", afirmou.
O executivo citou ainda outra linha de discurso comum no setor, também considerada problemática por ele: alertas de que boa parte dos empregos desapareceria rapidamente por causa da IA, sem oferecer respostas concretas sobre o que fazer a respeito. "Ou: 'Cara, essa coisa vai ser realmente terrível, e 50% dos empregos vão desaparecer no próximo ano, mas esperamos que vocês fiquem bem, apesar de parecer bem assustador'", disse.
My conversation with Sam Altman (@sama), co-founder & CEO of @OpenAI.
0:00 Tobi Lütke, AI-Native Companies & Why Adoption Moves Slowly
5:45 Sam's Own Resistance to AI & the Missing iPhone Moment
10:00 Models, Compute, Power Laws & Non-Consensus Talent
18:37 From AI-Obsessed Kid… pic.twitter.com/IOlRGD94T6— David Senra (@davidsenra) August 23, 2026
Para Altman, o setor não conseguiu comunicar adequadamente nem os benefícios da tecnologia nem como seus efeitos negativos poderiam ser reduzidos — mesmo quando havia respostas disponíveis, como a renda básica universal.
"Nós não fizemos, como campo, um trabalho muito bom de explicar para as pessoas quais são os benefícios e como as desvantagens podem ser mitigadas — e certamente não fizemos um bom trabalho mesmo quando as pessoas tiveram respostas como dizer: 'Vai ter renda básica universal, ou o trabalho vai ser opcional'", afirmou.
O CEO da OpenAI apontou que a ausência de discussão sobre autonomia e liberdade pessoal em um mundo cada vez mais moldado pela IA é uma das lacunas mais profundas no discurso.
"Tem havido muito pouca discussão, por parte das pessoas, sobre como e por que é importante que as pessoas tenham mais poder e liberdade pessoal no mundo, não menos. E isso importa muito para a maioria das pessoas", disse.
Segundo Altman, essa dimensão costuma ser ignorada até mesmo por quem constrói a tecnologia.
"A capacidade das pessoas de influenciar seu próprio futuro e desenhar coletivamente para onde a sociedade vai, e a autonomia que vem com isso, é muito importante. Eu não acho que muita gente no campo de IA... elas sentem isso por si mesmas, mas não passam muito tempo pensando, refletindo ou reconhecendo o quanto isso é importante para as outras pessoas", afirmou.
Além da crítica à comunicação do setor, Altman também apontou o que considera uma falha de produto: para ele, a IA generativa ainda não passou pela transformação que o iPhone provocou nos smartphones. "E eu acho que isso é, principalmente, uma falha de produto. A fase em que estamos agora me lembra os smartphones antes do iPhone", disse.
O executivo relembrou sua própria experiência como usuário de celulares na época. "Eu era um early adopter. Eu tinha um Palm Treo em 2003 ou 2004. Boa parte da tecnologia já estava lá. Faltava a multitouch, mas, principalmente, faltavam as ideias de produto que fizeram do iPhone o iPhone", afirmou.
Para Altman, a IA hoje está numa posição parecida, por ter a tecnologia madura, mas sem uma ruptura equivalente na forma como as pessoas interagem com ela. "Eu sinto que estamos agora em um mundo onde temos todas as peças tecnológicas, mas não tivemos o momento iPhone de mudar completamente como alguém se relaciona com a tecnologia", disse.