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Mistral negocia aporte de € 3 bilhões e pode dobrar valor

Criadora do Le Chat pode chegar a € 20 bilhões em avaliação enquanto Europa tenta reduzir dependência tecnológica dos EUA

Após rodada em setembro de 2025, a empresa foi avaliada em 11,7 bilhões de euros (LUDOVIC MARIN/Getty Images)

Após rodada em setembro de 2025, a empresa foi avaliada em 11,7 bilhões de euros (LUDOVIC MARIN/Getty Images)

Ramana Rech
Ramana Rech

Redatora

Publicado em 14 de junho de 2026 às 08h18.

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A Mistral AI, startup francesa de inteligência artificial, negocia levantar 3 bilhões de euros em uma nova rodada de investimento, segundo a Bloomberg, que cita pessoas familiarizadas com o assunto. Se confirmada, a operação pode elevar a avaliação da empresa para 20 bilhões de euros.

As conversas ainda estão em fase inicial, e os termos podem mudar conforme a demanda dos investidores. A empresa foi fundada em 2023 e ganhou projeção como uma das principais apostas europeias no avanço da inteligência artificial.

Em setembro, a Mistral havia sido avaliada em 11,7 bilhões de euros após captar 1,7 bilhão de euros. Na ocasião, a companhia afirmou que usaria os recursos em pesquisa científica para desenvolver modelos de ponta. A rodada foi liderada pela ASML Holding, fabricante holandesa de equipamentos para semicondutores, com participação de investidores como DST Global, Andreessen Horowitz, Bpifrance, General Catalyst, Index Ventures, Lightspeed e Nvidia.

A nova negociação ocorre em um momento em que a disputa pela liderança em IA segue concentrada entre Estados Unidos e China. Nesse cenário, a Mistral tem sido apresentada como a principal representante da Europa na tentativa de criar modelos próprios e reduzir a dependência de tecnologias desenvolvidas por empresas americanas.

Soberania digital vira pauta europeia

Um dos fundadores da Mistral, Arthur Mensch, apareceu ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, durante a conferência VivaTech 2025. No evento, Mensch destacou a pressão por resultados e a necessidade de a Europa ampliar sua autonomia tecnológica em relação aos Estados Unidos.

A discussão também chegou à Comissão Europeia. Neste mês, o órgão propôs uma lei para fortalecer setores como inteligência artificial, semicondutores, nuvem e código aberto, conceito conhecido como open source, em que o código de um software pode ser acessado, usado e modificado por terceiros. A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu a medida ao afirmar que o bloco não pode depender de outros países para tecnologias usadas em hospitais, redes elétricas e serviços essenciais. A fala resume a preocupação que hoje cerca a Mistral: mais do que uma empresa em crescimento acelerado, ela se tornou peça de uma agenda política e industrial voltada à soberania digital europeia.

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