Rafael Figueiredo, CEO da Tecla T: empresa conecta clientes a profissionais de tecnologia (TECLAT/Divulgação)
EXAME Solutions
Publicado em 12 de junho de 2026 às 14h52.
Por muito tempo, a área de tecnologia foi vista apenas como suporte. Hoje, ela se tornou estratégica para praticamente qualquer empresa. Do varejo à saúde, passando por educação, logística e serviços, companhias de diferentes setores dependem de operações digitais para crescer, ganhar eficiência e melhorar a experiência do cliente.
O desafio, porém, é formar equipes capazes de entregar projetos na velocidade que o negócio exige. Em um mercado marcado pela escassez de profissionais qualificados, longos processos de contratação e alta rotatividade, empresas passaram a buscar modelos mais flexíveis para estruturar seus times de tecnologia.
Foi de olho nesse cenário que Rafael Figueiredo criou a Tecla T, em Fortaleza, em 2019. Engenheiro de computação, ele percebeu que muitas empresas concentravam esforços apenas na entrega técnica dos projetos, sem necessariamente conectar tecnologia aos resultados do negócio. “Mais do que oferecer a solução mais rápida ou inovadora, o importante era entender como a tecnologia pode aumentar vendas, lucro ou eficiência operacional”, diz o CEO da Tecla T.
A empresa começou como software house, desenvolvendo soluções sob demanda para clientes do Nordeste. Poucos meses depois, incorporou ao modelo a terceirização de profissionais de tecnologia — movimento que, segundo Figueiredo, surgiu a partir da demanda crescente das próprias empresas. Hoje, a Tecla T atua com outsourcing de TI e desenvolvimento de software para companhias de diferentes segmentos, incluindo Magalu, EY, Hapvida, G4 Educação e M. Dias Branco.
Em um cenário de transformação digital acelerada, a velocidade se tornou uma variável importante para a competitividade das empresas. O desafio é que a formação de equipes de tecnologia costuma ser lenta — e acontece em um mercado marcado pela escassez de profissionais qualificados.
Segundo estimativas da Brasscom, associação que representa empresas de tecnologia da informação e comunicação, o Brasil pode enfrentar um déficit acumulado de 530 mil profissionais de tecnologia até 2029.
Além do tempo necessário para recrutamento, empresas ainda enfrentam dificuldades para validar competências técnicas, avaliar aderência cultural e integrar profissionais aos projetos. Em muitos casos, meses se passam até que uma contratação comece efetivamente a gerar resultados.
Para Figueiredo, esse intervalo se tornou um gargalo relevante para companhias que precisam acelerar entregas digitais. “O perfil que o cliente mais pede é o profissional sênior — e esse é justamente o mais difícil de encontrar”, afirma.
Para reduzir esse tempo de resposta, a Tecla T estruturou um modelo baseado em banco contínuo de talentos, recrutamento especializado e acompanhamento próximo dos profissionais após a alocação. Segundo a empresa, profissionais podem ser alocados em até sete dias.
Para Figueiredo, porém, velocidade sozinha não resolve o problema. “Existe uma estrutura por trás do nosso trabalho. Não é simplesmente colocar um profissional dentro do cliente e esperar que ele performe sozinho”, diz.
A empresa também mantém acompanhamento operacional, suporte técnico e integração entre as áreas comercial, de recrutamento e de gestão de projetos. A ideia é reduzir o tempo de adaptação e ampliar a capacidade de entrega das equipes.
O avanço do outsourcing de TI também reflete uma mudança na forma como as empresas enxergam a terceirização de tecnologia. Se antes o modelo era associado principalmente à redução de custos, hoje ele vem sendo utilizado para acelerar projetos, ganhar flexibilidade e acessar competências específicas sem a necessidade de estruturar grandes equipes internas.
Na Tecla T, isso inclui desde desenvolvedores e especialistas em QA até perfis híbridos, com experiência em setores específicos. Em projetos da área da saúde, por exemplo, a empresa trabalha com profissionais que combinam formação técnica e conhecimento prévio do segmento. “A solução deve se adaptar ao negócio — e não o contrário”, afirma Figueiredo.
Essa personalização também aparece na forma como a empresa tenta lidar com um dos principais problemas do mercado de tecnologia: a retenção. Com a popularização do trabalho remoto durante a pandemia, empresas brasileiras passaram a disputar profissionais com companhias internacionais, muitas vezes oferecendo salários em dólar e projetos globais.
Segundo Figueiredo, a resposta da Tecla T foi fortalecer sua marca empregadora e ampliar o acesso dos profissionais a projetos internacionais. “Nosso desafio passou a ser fazer com que os profissionais quisessem trabalhar com a gente”, afirma o executivo, que hoje entrega projetos em cinco países.
Além disso, a empresa afirma manter turnover de 2%, índice abaixo da média do setor, resultado que atribui à proximidade com os profissionais e ao acompanhamento contínuo das equipes.
Ao longo dos últimos meses, ferramentas de IA generativa, plataformas no-code e modelos de desenvolvimento assistido tornaram mais simples a criação de aplicações e protótipos, especialmente em pequenas e médias empresas.
Na prática, isso faz com que parte das companhias tente internalizar demandas que antes seriam terceirizadas. Para Figueireiredo, porém, a facilidade de desenvolver aplicações não elimina a necessidade de estrutura técnica especializada. “O empresário consegue enxergar a aplicação funcionando, mas nem sempre consegue avaliar questões de segurança, escalabilidade e governança”, afirma.
Na avaliação do executivo, a IA deve acelerar a criação de novos projetos e ampliar o volume de demandas tecnológicas dentro das empresas, mas não reduzir a importância de equipes especializadas. “Hoje ficou muito mais fácil prototipar uma ideia. O desafio é transformar isso em uma operação consistente”, diz.
Assim, se a inteligência artificial tornou mais fácil criar aplicações e acelerar testes, ela também aumentou a pressão sobre empresas que precisam transformar protótipos em operação real. Nesse cenário, modelos de outsourcing passaram a ocupar um papel mais estratégico: não apenas fornecer mão de obra, mas combinar velocidade, especialização e adaptação às necessidades de cada negócio.
A Tecla T também serve como aliada das organizações que queiram adotar inteligência artificial. Hoje, a empresa está preparada para atuar em toda a jornada do cliente, da validação da ideia com IA até a estruturação completa do projeto, seja com o outsourcing especializado, seja com o desenvolvimento estruturado em sua software house. “Acredito que o melhor modelo de trabalho é sempre aquele que é customizado para o cliente e suas necessidades de negócio”, afirma Figueiredo.