Patrocinado por:
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 17 de julho de 2026 às 14h03.
A Meta, dona do Facebook e do Instagram, está em negociações para vender capacidade de computação à Anthropic, criadora do assistente de inteligência artificial (IA) Claude, segundo o The New York Times.
A notícia representa um passo concreto na entrada da Meta em um mercado dominado por gigantes da nuvem como a Amazon.
A conversa se encaixa em um plano maior. No início de julho, a empresa de Mark Zuckerberg revelou que desenvolve o Meta Compute, um negócio de infraestrutura para vender a terceiros o poder de processamento excedente de seus data centers — a sobra de uma megaoperação de investimento em IA que deve custar à companhia entre US$ 115 bilhões e US$ 145 bilhões só em 2026.
A lógica é transformar um custo em receita.
A Meta gastou bilhões construindo data centers para treinar e rodar seus próprios modelos de IA, mas não há garantia de que toda essa capacidade seja usada internamente. Vender o excedente ajuda a diluir a conta de uma infraestrutura cara enquanto a demanda por computação segue alta.
A estratégia não é inédita.
A Meta segue o caminho aberto pela SpaceX, de Elon Musk, cuja divisão de IA, a xAI, fechou acordos para alugar a capacidade de seu data center Colossus 1. Um desses contratos foi justamente com a Anthropic, que teria concordado em pagar cerca de US$ 1,25 bilhão por mês pela capacidade; outro, com o Google, por US$ 920 milhões mensais.
O eventual acordo tem um componente curioso de unir duas concorrentes diretas.
A Meta tenta se firmar no mercado de IA de consumo, onde disputa com OpenAI, Google e a própria Anthropic. Ao mesmo tempo, passaria a fornecer a infraestrutura que ajuda a rival a operar o Claude.
Para a Anthropic, o interesse é claro. Os modelos da família Claude exigem um poder computacional intenso, e a empresa já mantém parcerias de nuvem com Google e Amazon — esta última, também sua investidora. Recentemente, a Anthropic anunciou um plano de US$ 50 bilhões para construir a própria infraestrutura, sinal de sua fome por capacidade de processamento.
O movimento reforça a tese de que os vencedores da corrida da IA podem não ser os que têm os melhores modelos, mas os que controlam os data centers.
Ao entrar nesse jogo, a Meta se posiciona em uma nova frente de competição, agora contra a Amazon Web Services (AWS), o Microsoft Azure e o Google Cloud.
Há, porém, ceticismo. Parte dos analistas alerta que a corrida bilionária por infraestrutura de IA pode estar formando uma bolha, apoiada em chips que se desvalorizam rapidamente. A conferir se a demanda por computação vai se manter alta o suficiente para justificar os investimentos — e transformar a capacidade excedente da Meta em um negócio duradouro.