Linux: grupo oferece dinheiro para quem instalar sistema no PlayStation (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 17 de julho de 2026 às 14h01.
Uma fundação de defesa do direito ao reparo está oferecendo uma recompensa em dinheiro para quem conseguir fazer o sistema operacional Linux rodar no PlayStation 5, o console da Sony. O prêmio começou em US$ 10 mil e, impulsionado por doações da comunidade, já ultrapassou os US$ 15 mil (cerca de R$ 77 mil na cotação atual).
A iniciativa é da FULU Foundation, organização sem fins lucrativos cofundada por Louis Rossmann, ativista conhecido por defender que os consumidores tenham mais liberdade sobre os aparelhos que compram.
O objetivo declarado é dar aos donos do PS5 o que a fundação chama de "propriedade real" sobre o hardware.
Para levar o prêmio, é preciso burlar ou contornar o hypervisor do PS5 — a camada de segurança que a Sony usa para controlar o que roda no console — a ponto de permitir a inicialização de um sistema operacional alternativo, como o Linux.
Segundo o regulamento do concurso, o console precisa continuar capaz de voltar ao sistema original e rodar os jogos de PS5 normalmente.
Se a solução envolver modificação de hardware, ela não pode exigir peças caras — nada que se aproxime de uma fração significativa do preço do console — e deve poder ser feita por alguém com noções básicas de solda.
O sistema alternativo não precisa nem ser estável, basta que ele inicialize.
A oferta responde a uma limitação prática. Já existe um exploit que roda Linux no PS5, mas ele só funciona em versões muito antigas do firmware — e hoje é quase impossível encontrar um console que ainda rode essas versões, porque as atualizações da Sony fecharam a brecha. Na prática, o caminho existente virou beco sem saída.
O momento também não é casual. A fundação argumenta que, com o preço da computação nas alturas — a memória RAM de consumo subiu de três a quatro vezes em um ano, segundo a organização —, é ainda mais difícil justificar manter um hardware capaz "trancado".
Por que impedir, questiona o grupo, que o dono use o console como quiser.
O rosto da campanha é Louis Rossmann, que começou a carreira consertando eletrônicos e ganhou notoriedade em vídeos que ensinam reparos que fabricantes como a Apple não endossam.
Ele se tornou uma das vozes mais conhecidas do movimento pelo direito ao reparo, que defende que consumidores e oficinas independentes possam consertar e modificar os produtos que compram.
A recompensa também surge em meio a uma onda de insatisfação com a Sony, pressionada nas últimas semanas por decisões vistas como restritivas, como o rumo do fim das mídias físicas no PlayStation. A campanha do Linux se soma a esse contexto, transformando uma disputa técnica em uma bandeira sobre quem, no fim, controla o aparelho: a fabricante ou o dono.