Inteligência Artificial

Loja na Paulista vende 'funcionários IAs' para popularizar agentes que ajudam empreendedores

Startup brasileira Inner AI inaugura no Conjunto Nacional a primeira loja física de inteligência artificial do país e quer transformar agentes digitais em um serviço de balcão

Pedro Salles: fundador da Inner AI (Inner IA/Divulgação)

Pedro Salles: fundador da Inner AI (Inner IA/Divulgação)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 23 de abril de 2026 às 16h01.

Última atualização em 23 de abril de 2026 às 16h04.

No térreo do Conjunto Nacional, na avenida Paulista, em São Paulo, uma vitrine chama atenção por vender um produto pouco comum no varejo tradicional: agentes de inteligência artificial. A startup brasileira Inner AI inaugurou nesta quarta-feira, 23, o que define como a primeira loja física de IA do Brasil, com a proposta de configurar 'times digitais' presencialmente para pequenas e médias empresas.

A empresa lança no espaço o Squad.com, nova plataforma que reúne agentes autônomos capazes de executar tarefas de atendimento, marketing e financeiro sem depender de comandos constantes do usuário. A proposta, segundo a companhia, é inverter a lógica mais comum da IA generativa, em que o cliente precisa iniciar cada interação.

“O usuário não precisa mandar mensagem. Os assistentes vão te puxando e sugerindo o que fazer”, afirma Pedro Salles, CEO da Inner AI.

Em vez de vender um software tradicional, a empresa diz comercializar uma espécie de equipe digital, com agentes que trabalham de forma coordenada e acionam o empreendedor apenas quando necessário.

No lançamento, o Squad.com estreia com três agentes principais. O primeiro é o Waz, voltado para atendimento e vendas via WhatsApp, com funções de resposta automática, organização de conversas e follow-up, acompanhamento posterior com clientes.

O segundo é a Maky, focada em marketing digital, responsável por criar publicações, responder comentários e sugerir campanhas. Já o terceiro é o Fin, dedicado à área financeira, com emissão de cobranças, apoio ao fluxo de caixa e organização operacional.

A ideia é que os três operem de forma integrada. Um cliente pode ser identificado pelo sistema, receber contato automático, avançar no processo comercial e concluir um pagamento sem intervenção manual do empreendedor.

Loja física tenta resolver barreira de adoção

A aposta em uma loja presencial surge de um problema recorrente no setor: muitas empresas ainda não sabem como aplicar IA no dia a dia ou sequer quais perguntas fazer ao contratar esse tipo de serviço.

Por isso, o espaço no Conjunto Nacional funciona em um modelo inspirado no Genius Bar, balcão de suporte técnico da Apple. O cliente agenda um horário, vai até a loja e recebe ajuda para sair com os agentes configurados de acordo com o seu negócio.

Segundo Salles, o objetivo é reduzir a fricção de entrada e acelerar o processo de adoção entre pequenos empreendedores, público que costuma ter mais dificuldade na implementação inicial.

A estratégia acontece em um momento de expansão da companhia. A Inner AI captou R$ 30 milhões em uma rodada seed liderada pelos fundos Canary e OneVC e alcançou avaliação de R$ 500 milhões. Parte relevante do investimento está sendo direcionada ao lançamento do Squad.com.

A plataforma principal da empresa já reúne mais de 1 milhão de usuários e integra mais de 50 modelos de IA em um único ambiente, incluindo ChatGPT, ferramenta da OpenAI, Claude, da Anthropic, e Gemini, do Google.

Com a loja física, a startup tenta transformar uma tecnologia abstrata em algo mais próximo do varejo tradicional: entrar, sentar e sair com novos “funcionários” contratados.

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