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Economia Brasileira; PIB do Brasil; Moeda (Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 09h39.
O FMI afirma que investimentos em inteligência artificial já ajudam a sustentar o crescimento mundial. No longo prazo, a tecnologia pode aumentar a produtividade e a capacidade de produção das economias. Os benefícios, porém, dependem de infraestrutura, qualificação e adoção pelas empresas, enquanto a transformação do mercado de trabalho pode ampliar desigualdades.
A inteligência artificial (IA) pode elevar o Produto Interno Bruto (PIB) global ao aumentar a produtividade, mas parte de seu impacto econômico já aparece nos investimentos necessários para colocar a tecnologia em funcionamento.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a expansão da infraestrutura é um dos motores do crescimento mundial.
Na segunda-feira, 12, durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangkok, na Tailândia, Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo, afirmou que os investimentos em IA ajudam a manter a expansão da economia global perto de 3%, apesar da pressão provocada pelo choque na oferta de energia.
O diagnóstico ganhou um novo número nesta terça-feira, 13. O FMI elevou sua previsão de crescimento mundial em 2026 de 3%, na estimativa de julho, para 3,1%. Para 2027, a projeção é de 3,4%.
O Fundo distingue dois momentos. No primeiro, a construção da infraestrutura aumenta a demanda por equipamentos, energia e serviços. O dinheiro investido para desenvolver e operar a IA movimenta a economia antes que seus usuários consigam produzir mais com a tecnologia.
No segundo, o benefício depende de ganhos de produtividade: empresas e trabalhadores precisam conseguir entregar mais com os recursos disponíveis. Em discurso publicado em setembro, Georgieva afirmou que a IA poderia acrescentar entre 0,1 e 0,8 ponto percentual ao crescimento potencial anual global no longo prazo.
Essa medida representa uma possível ampliação da capacidade de crescimento da economia. Não significa que o PIB mundial já tenha recebido esse acréscimo, nem estabelece uma data única para que o ganho se materialize.
A distinção também ajuda a entender o risco da aposta. A expansão dos investimentos pode chegar antes dos resultados que a justificam. O FMI já havia alertado para uma possível desaceleração econômica caso as expectativas de retorno da IA não se confirmem.
Economias com infraestrutura digital e trabalhadores preparados têm melhores condições de incorporar a tecnologia, segundo o FMI. Países que enfrentam limitações nessas duas áreas podem aproveitar menos os ganhos, o que aumenta o risco de ampliar a distância entre economias ricas e pobres.
A distribuição também importa dentro de cada país. Trabalhadores capazes de usar IA podem aumentar sua produtividade e remuneração, enquanto outros enfrentam menor demanda por suas atividades. Ao mesmo tempo, os ganhos das empresas podem elevar o retorno dos proprietários do capital.
A avaliação do FMI sobre o mercado de trabalho estima que quase 40% dos empregos no mundo estejam expostos à IA. Nas economias avançadas, a proporção chega a aproximadamente 60%.
Exposição não significa demissão. Parte dos profissionais pode se beneficiar de ferramentas que complementam seu trabalho. Em outras atividades, a tecnologia pode executar tarefas antes realizadas por pessoas, reduzir contratações ou pressionar salários.
Para o Fundo, capturar os benefícios exige investimento em infraestrutura digital, formação profissional e programas de requalificação. Redes de proteção social também fazem parte da resposta recomendada para os trabalhadores que enfrentarem dificuldades durante a transição.
Os investimentos em infraestrutura movimentam a economia. Mais adiante, a adoção da tecnologia pode aumentar a produtividade e a capacidade de produção.
A estimativa divulgada em outubro prevê crescimento de 3,1% em 2026 e de 3,4% em 2027. Esses números consideram toda a economia, não apenas a contribuição da IA.
Não é isso que a estimativa afirma. O percentual representa empregos expostos à tecnologia, que pode complementar o trabalho ou substituir algumas de suas tarefas.