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Inspirada pela Apple, Meta avaliou ocultar pesquisas sobre segurança infantil, indicam e-mails

Mark Zuckerberg acreditava que estratégia silenciosa da Apple poderia ser usada em seu caso e evitar críticas sobre segurança nas redes sociais da Meta

Mark Zuckerberg: executivo chegou a sugerir que Meta seguisse estratégia da Apple (Brendan SmiaiowskiI/AFP/Getty Images)

Mark Zuckerberg: executivo chegou a sugerir que Meta seguisse estratégia da Apple (Brendan SmiaiowskiI/AFP/Getty Images)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 7 de fevereiro de 2026 às 14h27.

Mark Zuckerberg sugeriu à equipe da Meta que ocultasse resultados de pesquisas sobre comportamento e segurança nas redes sociais da empresa. O fundador do Facebook escreveu, em e-mail enviado aos funcionários em 2021, que a companhia deveria evitar que dados que demonstrassem como os aplicativos podem ser prejudiciais para menores de idade ao redor do mundo, e sugeriu que se espelhassem na estratégia da Apple.

"Eles adotaram a abordagem de que é responsabilidade das pessoas o que fazem na plataforma e, como a Apple não assumiu essa responsabilidade, não criou uma equipe ou uma série de estudos para examinar as vantagens e desvantagens dessa abordagem. Isso funcionou surpreendentemente bem para eles", comentou o empresário em conversa obtida por um caso judicial no Novo México, Estados Unidos, que acusa a Meta de ignorar a falta de segurança das redes sociais que opera em campanhas publicitárias positivistas.

O executivo também destacou que redes sociais como YouTube, Twitter e Snapchat também são mais reservadas quanto ao trabalho, seja ele existente ou não, a favor da segurança na internet. Para Zuckerberg, a ausência de declarações sobre porcentagens de atos maliciosos ou prejudicais evita que o público entenda as redes sociais como perigosas e descuidadas pela organização.

Entre os contatados por Zuckerberg sobre a sugestão, estão o vice-presidente de produtos centrais Javier Olivan e o vice-presidente de produto, escolha e competição David Ginsberg. Ambos comentaram que as pesquisas são importantes para guiar melhorias necessárias para usuários que fazem uso diariamente dos produtos da Meta, e Olivan ressaltou que a empresa poderia, então, encontrar uma forma de "eliminar" os vazamentos.

O executivo Guy Rosen, que lidera a integridade das redes sociais, sugeriu como uma das alterações a centralização dos conteúdos sensíveis nos times que operam as pesquisas. Um porta-voz disse ao The Verge recentemente que a Meta permanece empenhada em fazer "pesquisas transparentes e líderes na indústria".

Além do Novo México

A Meta também enfrenta batalhas judiciais na Califórnia que, assim como o processo do Novo México, deverão exibir ao público conversas internas sobre os processos que permitem ou inibem segurança infantil no Instagram e no Facebook. Ao todo, são mais de 40 estados dos EUA que se uniram para apresentar ao tribunal californiano o que acreditam ser "tecnologias poderosas e sem precedentes" utilizadas pela Meta para fidelizar usuários mais jovens.

Até o momento, declarações iniciais para o caso do Novo México estão planejadas para acontecer na próxima semana.

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