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A inteligência artificial já faz parte da rotina escolar e vem transformando a forma como alunos estudam e professores ensinam
Redatora
Publicado em 14 de junho de 2026 às 06h02.
Seja para tirar dúvidas, resumir conteúdos ou revisar trabalhos, a inteligência artificial vem ganhando espaço na rotina de alunos e professores.
Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) em parceria com a Educa Insights, 71% dos futuros universitários utilizam ferramentas de IA ao menos uma vez por semana.
O movimento tem gerado mudanças na forma de ensinar, aprender e avaliar o conhecimento, trazendo oportunidades e desafios para instituições de ensino em todo o mundo.
Diante dessa realidade, especialistas defendem que o debate não deve se concentrar em proibir ou permitir a tecnologia, mas em compreender seus impactos e definir formas adequadas de uso.
Um dos principais benefícios da IA é a possibilidade de adaptar conteúdos às necessidades de cada estudante. Ferramentas inteligentes conseguem sugerir exercícios, explicar conceitos de diferentes maneiras e oferecer apoio individualizado, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada aluno.
Na prática, isso significa que estudantes com mais dificuldades podem receber reforço adicional, enquanto aqueles com maior domínio do conteúdo podem avançar para desafios mais complexos.
A tecnologia também tem sido utilizada para reduzir tarefas repetitivas. Professores podem recorrer à IA para elaborar listas de exercícios, criar questões, produzir resumos ou sugerir atividades complementares.
Especialistas ressaltam, porém, que a ferramenta deve atuar como apoio ao planejamento pedagógico, e não como substituta do docente. A mediação humana continua sendo essencial para contextualizar conteúdos e avaliar a qualidade das informações geradas.
Pesquisas recentes apontam ganhos concretos quando a tecnologia é utilizada como ferramenta de estudo.
Um estudo do Banco Mundial acompanhou alunos do Ensino Médio durante seis semanas e observou melhora significativa no desempenho daqueles que utilizaram IA com orientação dos professores.
Os resultados indicaram benefícios duradouros e distribuídos entre diferentes perfis de estudantes, sugerindo que a tecnologia pode contribuir para ampliar oportunidades de aprendizagem.
Os benefícios, entretanto, não eliminam os desafios. Pesquisadores alertam que alguns estudantes utilizam a IA não para aprender, mas para obter respostas prontas.
Quando isso acontece, a tecnologia deixa de funcionar como ferramenta educacional e passa a atuar como uma espécie de atalho.
Estudos recentes sugerem que a dependência excessiva pode prejudicar a consolidação do conhecimento e reduzir o esforço necessário para resolver problemas de forma autônoma.
Outro debate envolve a capacidade dos alunos de analisar informações de forma independente. Como sistemas de IA podem apresentar respostas incorretas com aparência de autoridade, é necessário desenvolver habilidades de verificação e questionamento.
Especialistas defendem que o papel da escola passa a incluir não apenas o ensino de conteúdos, mas também a formação de usuários capazes de avaliar criticamente aquilo que recebem das ferramentas digitais.
A popularização da IA está levando instituições de ensino a repensarem métodos tradicionais de avaliação. Trabalhos feitos em casa e atividades baseadas apenas na entrega de textos tornaram-se mais difíceis de monitorar.
Como consequência, cresce o interesse por avaliações presenciais, atividades práticas, debates, apresentações orais e exercícios que valorizem o processo de construção do conhecimento, e não apenas o resultado final.
O uso da inteligência artificial também levanta preocupações relacionadas à segurança de dados. Muitas plataformas coletam informações dos usuários para aprimorar seus sistemas, o que exige atenção de escolas, universidades e famílias.
Além disso, especialistas apontam a necessidade de discutir transparência, autoria de conteúdos e possíveis vieses presentes nos modelos de IA, garantindo que a tecnologia seja utilizada de forma responsável e alinhada aos objetivos educacionais.
Para pesquisadores da área de educação, a inteligência artificial não representa uma ameaça inevitável nem uma solução mágica para os problemas do ensino.
Os maiores benefícios aparecem quando a tecnologia é utilizada sob orientação pedagógica, estimulando o raciocínio, a criatividade e a capacidade de análise.
Nesse cenário, o desafio das escolas não é impedir o contato dos alunos com a IA, mas ensiná-los a utilizá-la de forma crítica, ética e produtiva. Afinal, a tecnologia já está presente nas salas de aula — a questão agora é como transformá-la em uma aliada do aprendizado.