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Faturamento das PMEs cresce 3,2% no trimestre e comércio volta ao azul após quedas

Índice da Omie acumula quarto trimestre seguido de alta e projeção para 2026 sobe para 2,6%; infraestrutura recua e juros seguem como freio

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 25 de julho de 2026 às 13h34.

Última atualização em 25 de julho de 2026 às 14h02.

As pequenas e médias empresas brasileiras mantiveram a trajetória de crescimento no segundo trimestre de 2026. O faturamento real médio das PMEs subiu 3,2% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs). No primeiro semestre, a alta acumulada é de 3,7%, o quarto trimestre consecutivo de expansão do índice.

O índice acompanha 756 atividades econômicas de empresas com faturamento anual de até cinquenta milhões de reais, a partir de dados agregados e anonimizados de contas a receber de mais de 180 mil clientes. Os valores são deflacionados pelo IGP-M, o que permite medir a evolução real do faturamento.

O fato novo do trimestre veio do comércio. Após sucessivos recuos, o faturamento real das PMEs do setor voltou ao campo positivo, com alta de 4,6% entre abril e junho e avanço acumulado de 1,3% no semestre.

Em junho, o crescimento chegou a 7,0%. O movimento foi liderado pelo comércio e reparação de veículos automotores, que reverteu a queda do início do ano, enquanto atacado e varejo também retornaram ao território positivo.

Os serviços também ganharam ritmo. O setor cresceu 3,6% no trimestre, revertendo a acomodação do início do ano, e acumula alta de 2,3% no semestre. Os destaques foram atividades financeiras, transportes e armazenagem e saúde. Na ponta contrária, alimentação e educação seguem no campo negativo.

A indústria desacelerou, mas segue entre os destaques do ano. O avanço foi de 1,7% no trimestre, ante 6,7% no primeiro. No acumulado do semestre, a alta é de 4,1%, sustentada por metalurgia, fabricação de máquinas e equipamentos, produtos químicos e produtos de madeira.

A exceção foi a infraestrutura. O setor recuou 7,0% no trimestre, o pior resultado entre os grandes agrupamentos, e encerrou o semestre estável. A queda reflete a desaceleração da construção civil em ambiente de juros elevados, com retração em obras de infraestrutura e serviços especializados para construção.

Com o resultado do semestre, a Omie revisou a projeção do IODE-PMEs para 2026 de 2,2% para 2,6%. Em 2025, o índice cresceu 1,8%.

A revisão considera a política fiscal expansionista, com reajustes reais do salário mínimo e ampliação de programas de transferência de renda.

Para 2027, a estimativa inicial aponta alta de 1,7%, em um cenário de juros ainda restritivos e de ajuste das contas públicas pelo próximo governo.

Norte lidera crescimento regional

No recorte regional do semestre, o índice avançou no Norte (+12,5%), no Sul (+7,3%) e no Sudeste (+4,3%), região que concentra a maior parte das empresas ativas do país. Nordeste (-1,6%) e Centro-Oeste (-4,8%), que vinham em expansão, passaram a registrar retração no acumulado do ano.

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