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Evento online se destina a executivos e gestores (Guvendemir/Getty Images)
Redatora
Publicado em 14 de junho de 2026 às 07h04.
A inteligência artificial se tornou parte da rotina de milhões de pessoas. Ferramentas capazes de responder perguntas, gerar textos, criar imagens e automatizar tarefas passaram a ser utilizadas em ambientes de trabalho, estudos e até em atividades cotidianas.
Mas, ao mesmo tempo em que ampliam a produtividade, essas tecnologias também levantam preocupações sobre privacidade e segurança de dados.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo alertam que a discussão não envolve apenas o que as inteligências artificiais conseguem fazer, mas também quais informações são compartilhadas com esses sistemas e como elas podem ser utilizadas.
Grande parte das ferramentas de IA depende de enormes volumes de informação para funcionar. Em muitos casos, usuários compartilham documentos, mensagens, imagens e até informações profissionais para obter respostas mais precisas.
Segundo os pesquisadores, o risco surge quando dados pessoais, financeiros ou corporativos são inseridos sem os devidos cuidados.
Dependendo da plataforma utilizada e das configurações adotadas, essas informações podem ficar expostas a acessos indevidos, vazamentos ou usos não previstos pelo usuário.
O problema se torna ainda mais relevante em empresas, onde funcionários podem compartilhar relatórios internos, contratos ou informações estratégicas sem perceber os riscos envolvidos.
De acordo com o professor Fabio Gagliardi Cozman, da Escola Politécnica da USP, os desafios de segurança aparecem em duas grandes áreas.
A primeira envolve a própria proteção das informações digitais. Ferramentas baseadas em inteligência artificial podem ser utilizadas tanto para fortalecer sistemas de segurança quanto para tentar quebrar mecanismos de proteção existentes.
Em outras palavras, a tecnologia participa dos dois lados da disputa entre quem busca proteger dados e quem tenta acessá-los indevidamente.
A segunda preocupação está relacionada à chamada engenharia social, quando criminosos exploram comportamentos humanos para obter informações confidenciais.
Nesse cenário, a IA pode ser usada para criar mensagens mais convincentes, e-mails fraudulentos mais sofisticados e abordagens personalizadas que aumentam as chances de uma vítima fornecer senhas, dados bancários ou outras informações sensíveis.
Outro alerta dos especialistas envolve a capacidade crescente das inteligências artificiais de produzir conteúdos extremamente convincentes.
Imagens, vídeos e gravações de voz gerados por IA estão cada vez mais próximos da realidade. Segundo o pesquisador Routo Terada, do Instituto de Matemática e Estatística da USP, isso dificulta a distinção entre conteúdos autênticos e materiais manipulados.
Na prática, a tecnologia pode ser utilizada para criar falsificações capazes de enganar usuários, simular identidades ou dar aparência legítima a golpes digitais.
Quanto mais realistas essas produções se tornam, maior o desafio para identificar o que é verdadeiro.
Para os pesquisadores, a principal defesa continua sendo a combinação entre tecnologia e comportamento consciente.
Evitar compartilhar informações sensíveis em plataformas de IA, verificar a origem de mensagens recebidas e desconfiar de conteúdos excessivamente convincentes são algumas das recomendações mais importantes.
Especialistas também destacam o papel de ferramentas de autenticação digital, assinaturas eletrônicas e mecanismos que ajudam a comprovar a origem de documentos, imagens e arquivos.
À medida que a inteligência artificial se torna mais presente na vida cotidiana, a segurança de dados deixa de ser apenas uma questão técnica.
Para pesquisadores, compreender os riscos e adotar boas práticas digitais será cada vez mais importante para reduzir vulnerabilidades e evitar prejuízos financeiros, profissionais e pessoais.