Inteligência Artificial

Figure cria robô humanoide que conversa e aprende com os próprios erros

Novo robô humanoide amplia autonomia e capacidade de aprendizado, mas ainda carece de resultados práticos em escala

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 7 de abril de 2026 às 14h08.

A corrida pela automação industrial com robôs humanoides ganha novos contornos com o anúncio do Figure 02, desenvolvido pela startup Figure. 

Voltado a aplicações em ambientes produtivos, o modelo incorpora avanços em inteligência artificial, comunicação por voz e eficiência energética. O movimento ocorre em um contexto de elevado fluxo de investimentos no setor e de expectativas crescentes sobre o impacto dessas tecnologias na produtividade industrial.

A Figure está entre as empresas com maior captação de recursos focadas na introdução de robôs bípedes em fábricas. A parceria firmada com a BMW, no início do ano, sinaliza uma estratégia de inserção gradual em linhas de produção reais, com testes conduzidos na unidade de Spartanburg, nos Estados Unidos.

O Figure 02 apresenta alterações no design e na engenharia do sistema. A estrutura foi redesenhada, com acabamento mais discreto e redução de volume, enquanto as mãos articuladas de cinco dedos evoluíram para um padrão de quarta geração, com 16 graus de liberdade e capacidade de força comparável à humana.

Apesar dessas melhorias, as demonstrações operacionais ainda se concentram em tarefas industriais relativamente estruturadas, como movimentação de componentes entre estações, atividades já observadas na geração anterior.

Integração de IA e comunicação por voz

Um dos principais diferenciais do novo modelo está na integração com sistemas de inteligência artificial. A colaboração com a OpenAI resultou na incorporação de reconhecimento de fala embarcado, permitindo interação verbal com operadores humanos.

Além disso, o robô utiliza um sistema de modelagem de linguagem visual, apoiado por seis câmeras distribuídas pelo corpo, para interpretar o ambiente e ajustar suas ações. A proposta é ampliar a autonomia operacional e reduzir a necessidade de supervisão direta.

Outros avanços incluem aumento de 50% na capacidade da bateria, atingindo cerca de 7,5 horas de operação, além de maior capacidade computacional para processamento de dados e inferência de IA em tempo real.

Limitações operacionais e desafios de escala

Embora os avanços técnicos sejam relevantes, ainda há lacunas entre as demonstrações e a aplicação em larga escala. Os testes realizados nas instalações da BMW têm caráter experimental, voltados ao treinamento de algoritmos e coleta de dados em cenários reais.

Até o momento, não há confirmação de implantação efetiva do Figure 02 em linhas produtivas. A ausência de evidências operacionais mais robustas mantém o projeto em estágio de validação tecnológica, comum em ciclos iniciais de inovação industrial.

Pressão por resultados em um cenário de altas expectativas

O desenvolvimento ocorre em paralelo a um ambiente de crescente escrutínio sobre o setor de inteligência artificial. Analistas e especialistas têm apontado preocupações quanto ao descompasso entre o volume de investimentos e a entrega de resultados tangíveis.

Empresas como Figure e Tesla projetam um cenário em que robôs humanoides desempenhem funções complexas em fábricas e centros logísticos. No entanto, até o momento, a comunicação ao mercado tem se apoiado majoritariamente em vídeos demonstrativos e protótipos controlados.

Nesse contexto, a capacidade de converter avanços tecnológicos em aplicações comerciais sustentáveis passa a ser um fator determinante para a consolidação dessas iniciativas no setor industrial.

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