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Entre OpenAI e DeepSeek, CEO da Y Combinator rejeita pressão contra empresas chinesas

Executivo diz que EUA deveriam discutir um regime próprio de destilação enquanto OpenAI e Anthropic pressionam contra a prática

Garry Tan, CEO da Y Combinator: para ele, destilação não é um problema (Seb Daly/Web Summit/Getty Images)

Garry Tan, CEO da Y Combinator: para ele, destilação não é um problema (Seb Daly/Web Summit/Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 17h12.

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RESUMO | Garry Tan, CEO da Y Combinator, afirmou durante o Demo Day da aceleradora que os Estados Unidos não deveriam combater a destilação de modelos de inteligência artificial. Tan defende um equilíbrio entre modelos abertos e de fronteira. A declaração ocorre após agências americanas acusarem seis empresas chinesas de minerar modelos dos EUA desde 2024.


Enquanto gigantes de tecnologia americanos e especialistas em segurança nacional pedem ação contra empresas chinesas acusadas de "destilar" seus modelos de inteligência artificial (IA), Garry Tan, CEO da aceleradora de startups Y Combinator, discorda.

"Eu não faria nada" em relação à destilação, disse ele à CNBC durante o Demo Day anual da Y Combinator. "Poderíamos argumentar que deveria existir um regime americano de destilação."

Destilação é o processo de usar as respostas de um modelo de IA mais capaz para treinar um sistema menor ou menos avançado, às vezes de forma não autorizada.

Entenda o conflito da destilação de IA

O tema virou um dos principais pontos de tensão para desenvolvedores de modelos de fronteira, sobretudo OpenAI e Anthropic. A Anthropic já acusou empresas chinesas como Moonshot AI, DeepSeek e MiniMax dessa prática, enquanto a OpenAI acredita que as arquiteturas dos modelos V3 e R1, da DeepSeek, foram destiladas a partir de seus próprios modelos GPT-4 e GPT-4o.

Para Tan, reguladores deveriam se preocupar menos em conter a destilação e mais em criar um equilíbrio entre modelos de peso aberto (open weight) e modelos de fronteira — desde que estes últimos mantenham um prêmio de preço que sustente seu modelo de negócio.

"Isso é, na verdade, o cenário ideal. Você quer que modelos abertos deem liberdade e acesso às pessoas", explicou.

Críticos já rebateram as reclamações de Anthropic e OpenAI sobre destilação, argumentando que boa parte dos dados usados para treinar os próprios modelos americanos pode estar protegida por lei de direitos autorais — ponto que Tan também destacou.

A questão é hoje objeto de disputas judiciais nos Estados Unidos, incluindo o processo movido pelo New York Times contra OpenAI e Microsoft em 2023, por uso não autorizado de artigos do jornal em dados de treinamento, e um acordo fechado em 2025 entre a Anthropic e um consórcio de autores de livros por alegação semelhante.

Tan também disse preferir concentrar atenção nos riscos presentes da IA do que nos temores de extinção que vêm dominando manchetes recentemente — segundo ele, alguns riscos, como perda de empregos e disrupção econômica, ainda estão décadas distantes.

Ações dos EUA e a reação da China

A fala de Tan chega dias depois do próprio governo americano nomear seis empresas chinesas de IA — DeepSeek, Moonshot AI, Alibaba, MiniMax, StepFun e Z.AI — em alerta conjunto do FBI, da NSA e da CISA, acusando-as de minerar sistematicamente modelos de fronteira americanos desde 2024.

A tensão, porém, corre em via dupla. Nesta mesma semana, a startup chinesa de robótica humanoide JoyIn, sediada em Suzhou, acusou publicamente a OpenAI de ter "destilado" seu próprio modelo, o Aether, ao lançar o GPT-6 Astra.

"As pessoas costumam dizer que grandes empresas de tecnologia têm redes de inteligência monitorando toda a internet — dessa vez eu acredito, isso é uma destilação direta de nós, sem nenhuma modificação", disse Guo Renjie, CEO da JoyIn, segundo a CNBC. A empresa afirma já ter iniciado o processo de entrar com uma ação judicial contra a OpenAI.


O que é destilação de modelos de inteligência artificial?

Destilação é o processo de usar as respostas de um modelo de IA mais capaz para treinar um sistema menor ou menos avançado, às vezes sem autorização.

Qual é a posição de Garry Tan sobre a destilação de IA?

Garry Tan, CEO da Y Combinator, afirmou à CNBC que não adotaria medidas contra a destilação e sugeriu a criação de um regime americano para essa prática. Para Tan, modelos abertos devem oferecer liberdade e acesso, enquanto modelos de fronteira precisam manter um prêmio de preço que sustente seus negócios.

Quais empresas chinesas foram acusadas de destilar modelos americanos?

A Anthropic acusou Moonshot AI, DeepSeek e MiniMax de praticar destilação. A OpenAI acredita que os modelos V3 e R1, da DeepSeek, foram destilados a partir do GPT-4 e do GPT-4o.

Quais empresas chinesas foram citadas no alerta do governo dos Estados Unidos?

DeepSeek, Moonshot AI, Alibaba, MiniMax, StepFun e Z.AI foram citadas em um alerta conjunto do FBI, da NSA e da CISA. Segundo as agências americanas, as seis empresas mineram sistematicamente modelos de fronteira dos Estados Unidos desde 2024.

Como os direitos autorais entram no debate sobre destilação de IA?

Críticos das reclamações de Anthropic e OpenAI argumentam que parte dos dados usados para treinar modelos americanos pode estar protegida por direitos autorais, ponto também destacado por Garry Tan. O tema aparece no processo do New York Times contra OpenAI e Microsoft, iniciado em 2023, e no acordo firmado pela Anthropic com autores de livros em 2025.

Por que a empresa chinesa JoyIn acusa a OpenAI de destilação?

A JoyIn afirma que a OpenAI destilou seu modelo Aether para lançar o GPT-6 Astra. Segundo Guo Renjie, CEO da startup chinesa, houve uma “destilação direta”, e a empresa diz ter iniciado o processo para entrar com uma ação judicial contra a OpenAI.

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