Patrocinado por:
Donald Trump: presidente dos EUA descarta riscos de extinção por IA e foca na disputa tecnológica contra a China (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 10h59.
RESUMO | Donald Trump descartou os alertas sobre o risco de extinção pela inteligência artificial e afirmou que sua prioridade é vencer a China na corrida da IA. A posição do presidente dos Estados Unidos contrasta com as defesas de desaceleração feitas por integrantes da indústria, como Sam Altman e Dean W. Ball.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou os alertas recentes de pesquisadores de inteligência artificial (IA) sobre o risco de a tecnologia se tornar incontrolável e levar à extinção humana, deixando claro que, para ele, a disputa geopolítica com a China pesa mais do que qualquer temor sobre segurança de longo prazo da tecnologia.
Questionado por jornalistas, ao deixar Dallas, se tinha alguma preocupação com a possibilidade de a IA levar à extinção da humanidade, Trump disse "não ter nenhuma".
"Minha preocupação é que, se não vencermos a corrida da IA, vamos ficar em uma posição muito ruim. Estamos liderando a China agora por um bom período — eu diria um ano, o que já é considerado muito tempo", disse.
A declaração cristaliza a lógica que já orienta a política americana de IA sob Trump: qualquer risco de segurança é secundário diante do imperativo de vencer a China na corrida tecnológica.
Isso ajuda a explicar por que o governo americano tem, ao mesmo tempo, alertado sobre práticas de "destilação" por parte de laboratórios chineses — na semana passada, FBI, NSA e CISA nomearam seis empresas chinesas de IA acusadas de minerar sistematicamente modelos de fronteira americanos — e resistido a qualquer medida que possa desacelerar o próprio desenvolvimento americano da tecnologia, mesmo diante de alertas vindos de dentro dos laboratórios dos EUA.
A fala acontece na mesma semana em que Sam Altman, CEO da OpenAI, disse a funcionários estar aberto a desacelerar o desenvolvimento de IA de fronteira, em coordenação com outros laboratórios — sinal de que, mesmo dentro da própria indústria americana, já existe divergência sobre o ritmo ideal da corrida.
Trump, porém, sinaliza que o governo não vê esse tipo de desaceleração como prioridade, ao menos não enquanto a vantagem sobre a China for medida em termos de meses, não de anos.
Donald Trump afirmou não ter preocupação com a possibilidade de a inteligência artificial provocar a extinção humana. Segundo o presidente, sua preocupação é vencer a corrida da IA contra a China.
Os Estados Unidos estão cerca de um ano à frente da China na corrida da inteligência artificial, segundo estimativa de Donald Trump. O presidente afirmou que perder essa liderança colocaria o país em uma posição muito ruim.
Evan Hubinger, líder de ciência de alinhamento da Anthropic, estima em mais de 10% a chance de uma IA avançada provocar a extinção humana em uma década. Segundo o pesquisador, a indústria ainda não possui um plano confiável para alinhar sistemas que superem a capacidade humana.
Sam Altman disse a funcionários que está aberto a desacelerar o desenvolvimento de IA de fronteira em coordenação com outros laboratórios. A declaração do CEO da OpenAI indica uma divergência na indústria americana sobre o ritmo da evolução tecnológica.
Dean W. Ball afirma que especialistas humanos já não conseguem, ou em breve não conseguirão, garantir que sistemas de IA de fronteira não tenham comportamentos perigosos e imprevisíveis. O responsável por estratégia de futuros da OpenAI assinou a chamada “carta de ritmo”, que propõe uma desaceleração.
Dean W. Ball defende maior participação dos governos e esforços concentrados em alinhamento, interpretabilidade, segurança e monitoramento. O executivo também considera necessária a diplomacia, pois os impactos negativos de um país avançar isoladamente seriam sentidos globalmente.