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Anthropic acusa modelos chineses de usar o Claude sem autorização

Segundo relatório da empresa, operadores ligados à Alibaba usaram mais de 151 milhões de trocas com o Claude para treinar seu modelo Qwen — a maior campanha desse tipo já registrada pela companhia

Claude: Anthropic afirmou que empresas chinesas destilaram IA  (Claude/Reprodução)

Claude: Anthropic afirmou que empresas chinesas destilaram IA (Claude/Reprodução)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 08h59.

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RESUMO | A Anthropic afirmou na quinta-feira, 10, ter neutralizado campanhas de “destilação ilícita” conduzidas por Alibaba, Moonshot AI e DeepSeek para treinar modelos chineses com respostas do Claude sem autorização. Segundo a empresa, a maior operação envolveu mais de 151 milhões de trocas ligadas à Alibaba entre maio e julho de 2026.


A Anthropic, dona do Claude, afirmou ter detectado e neutralizado esforços em larga escala de laboratórios chineses de inteligência artificial (IA) — incluindo Alibaba, Moonshot AI e DeepSeek — para treinar seus próprios modelos usando o Claude sem autorização.

Segundo relatório de inteligência de ameaças divulgado pela empresa na quinta-feira, 10, essa prática, batizada de "destilação ilícita", consiste em usar respostas de um modelo de IA mais avançado para treinar outro sistema e replicar parte de suas capacidades sem consentimento.

A empresa afirma que algumas das trocas continham "informações sensíveis, incluindo as de usuários individuais, grandes empresas multinacionais e agentes ligados a Estados", e essas práticas são "provavelmente inconsistentes com leis de privacidade e com os próprios termos de uso" dos laboratórios envolvidos.

O documento faz parte de um levantamento mais amplo da Anthropic, que cobre sete áreas de dano — operações cibernéticas, operações de vigilância, operações de influência, desenvolvimento de armas convencionais, uso indevido de biologia, golpes e fraudes, e a própria destilação ilícita —, referente a atividades identificadas e neutralizadas entre dezembro de 2025 e agosto de 2026.

Alibaba

O relatório aponta que operadores ligados à Alibaba usaram respostas do Claude para ajudar a treinar sua família de modelos Qwen, o que a empresa descreve como "a maior campanha de destilação em atacado já observada por ela".

Foram mais de 151 milhões de trocas com o Claude registradas entre maio e julho deste ano, com pico de quase 3 milhões de trocas por dia, distribuídas entre mais de 3.500 contas fraudulentas.

Segundo a Anthropic, essas contas compartilhavam um único prompt fixo usado para extrair a cadeia de raciocínio do modelo — o que permitiu atribuir toda a atividade a um esforço único e coordenado.

A Anthropic também afirma que a Alibaba usou o Claude para pesquisa mais ampla de IA, incluindo aprendizado por reforço e arquitetura de modelos.

Moonshot e DeepSeek

Segundo a Anthropic, a Moonshot AI, por sua vez, redirecionava silenciosamente alguns pedidos de clientes destinados ao Kimi para o Claude, exibindo depois as respostas do Claude aos usuários — que acreditavam estar interagindo com um modelo Kimi comum. A empresa afirma não saber se a Moonshot notificou os próprios clientes de que suas perguntas estavam sendo enviadas à Anthropic.

A DeepSeek, que ganhou notoriedade no ano passado por suas capacidades e baixo custo, teria usado tática semelhante à da Moonshot, transferindo trocas para o Claude sem informar seus próprios clientes.

Segundo a Anthropic, foram observados mais de 12 milhões de ataques de destilação atribuíveis à DeepSeek em um período de 14 dias em julho deste ano.

Um problema que o governo americano também já havia sinalizado

A acusação da Anthropic não é isolada. Em alerta publicado na terça-feira, 8, agências americanas como FBI, Agência de Segurança Nacional (NSA) e Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) já haviam nomeado seis empresas chinesas de IA — DeepSeek, Moonshot AI, Alibaba, MiniMax, StepFun e Z.AI — afirmando que elas minerariam sistematicamente modelos de fronteira de empresas americanas desde 2024, incluindo o Claude, o ChatGPT (OpenAI), o Gemini (Google) e o Grok (xAI).

O episódio acontece em meio a uma disputa cada vez mais acirrada entre modelos americanos e chineses de IA — mas com uma vantagem de custo expressiva do lado chinês.

Segundo a revista Fortune, um milhão de tokens de saída custa US$ 50 usando o modelo Fable, da própria Anthropic, contra apenas US$ 0,87 no DeepSeek-V4-Pro e US$ 4,40 no GLM-5.2, da Z.ai. Alibaba, Moonshot, DeepSeek e Xiaomi não comentaram o assunto.


O que é destilação ilícita de modelos de inteligência artificial?

Destilação ilícita é o uso não autorizado das respostas de um modelo avançado para treinar outro sistema e replicar parte de suas capacidades, segundo a Anthropic.

Como a Alibaba teria usado o Claude para treinar o Qwen?

Segundo a Anthropic, operadores ligados à Alibaba realizaram mais de 151 milhões de trocas com o Claude entre maio e julho de 2026, distribuídas por mais de 3.500 contas fraudulentas. As contas compartilhavam um prompt fixo destinado a extrair a cadeia de raciocínio do modelo.

Como Moonshot AI e DeepSeek teriam acessado respostas do Claude?

Segundo a Anthropic, Moonshot AI e DeepSeek redirecionavam para o Claude algumas solicitações feitas por clientes aos seus próprios modelos, sem informar os usuários. A Anthropic atribuiu à DeepSeek mais de 12 milhões de ataques de destilação durante 14 dias em julho de 2026.

A destilação ilícita expôs informações sensíveis?

Sim, segundo o relatório da Anthropic. Algumas trocas continham informações sensíveis de usuários individuais, multinacionais e agentes ligados a Estados, em práticas que a empresa considera provavelmente incompatíveis com leis de privacidade e termos de uso.

O governo dos Estados Unidos já havia alertado sobre essas práticas?

Sim. Em alerta publicado na terça-feira, 8, FBI, NSA e CISA afirmaram que seis empresas chinesas mineravam sistematicamente modelos americanos de fronteira desde 2024, incluindo Claude, ChatGPT, Gemini e Grok.

Quanto custam os modelos chineses em comparação com o modelo Fable?

Segundo a revista Fortune, um milhão de tokens de saída custa US$ 50 no Fable, da Anthropic, ante US$ 0,87 no DeepSeek-V4-Pro e US$ 4,40 no GLM-5.2, da Z.ai.

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