Liderança em tempos de reforma tributária (Wanwajee Weeraphukdee/Shutterstock)
Redação Exame
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 16h39.
Última atualização em 14 de setembro de 2026 às 14h18.
O ambiente de negócios brasileiro nunca pareceu tão hostil aos olhos de quem está no topo das empresas, mas a resposta a esse cenário não tem sido cortar investimento em gente.
Segundo a pesquisa Perspectiva dos Conselheiros e Executivos, do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), a percepção de um ambiente de negócios "ruim ou muito ruim" saltou de 27,4% em 2024 para 35,3% em 2026, a primeira vez que a visão negativa supera a positiva desde o início do levantamento.
A carga tributária segue como a principal ameaça apontada pelos entrevistados, citada por 45,8% dos conselheiros e executivos pelo segundo ano consecutivo.
Insegurança jurídica e tensões geopolíticas completam o quadro de preocupações. Ainda assim, a confiança no desempenho das próprias empresas permanece majoritariamente positiva: 59% dos respondentes têm uma perspectiva favorável, mesmo com queda de 10,9 pontos percentuais em relação a 2025.
Entre os focos de investimento das empresas, o desenvolvimento de capital humano aparece em terceiro lugar, citado por 45,3% dos entrevistados, atrás apenas de expansão de mercados (49%) e transformação digital (48,4%). São os mesmos três pilares de 2025, o que sugere que a piora do ambiente externo não mudou onde as empresas decidem apostar.
O mesmo padrão aparece na governança corporativa. Entre as prioridades de aprimoramento para 2026, questões ligadas à diretoria, como avaliação, sucessão e remuneração, lideram com 42,9% das respostas, seguidas por procedimentos e estrutura do conselho (41,1%) e desenvolvimento de competências dos conselheiros (31,9%).
Segundo o documento elaborado pela equipe de pesquisa e conteúdo do IBGC, pela primeira vez na série histórica da pesquisa o principal obstáculo ao avanço da governança deixou de ser a relação entre custo e benefício e passou a ser a percepção, entre os principais grupos de influência das empresas, de que a governança já está em um nível adequado.
A pesquisa ouviu 190 profissionais, entre 124 conselheiros e 66 executivos, de empresas de diferentes portes e setores. Quando o ambiente piora, a diferença entre quem apenas resiste e quem sai na frente costuma estar em quem senta à mesa de decisão.