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(Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 5 de outubro de 2026 às 15h35.
A marca d’água da OpenAI será um padrão estatístico nas palavras, invisível ao leitor. O sistema textGrain permitirá buscar esse sinal com uma chave secreta. A aplicação padrão começará na União Europeia; pela API, a adesão será opcional e global.
A marca d’água dos textos do ChatGPT será incorporada à escolha das palavras durante a geração da resposta, sem um selo visível.
Anunciada pela OpenAI nesta segunda-feira, 5, a tecnologia se chama textGrain e foi desenvolvida para permitir a identificação de um sinal associado aos modelos da empresa.
Um modelo de linguagem produz uma resposta em etapas. A cada passo, calcula probabilidades para o próximo token, unidade que pode corresponder a uma palavra ou parte dela, considerando o texto anterior.
O textGrain modifica a seleção com um padrão vinculado a uma chave secreta e ao contexto. O relatório técnico descreve uma organização do vocabulário em grupos: o sistema seleciona um grupo e, dentro dele, escolhe um token, preservando as probabilidades relativas daquele conjunto.
O método busca equilibrar a força do sinal com a variedade das respostas. Isso importa porque marcar a geração não deve fazer o modelo produzir sempre a mesma sequência quando recebe uma instrução repetida.
A marca fica no padrão das escolhas. Não há caracteres escondidos, espaços invisíveis ou tokens adicionais destinados apenas à marcação.
O detector analisa o texto com a mesma chave e as configurações correspondentes. Ele reconstrói o padrão esperado e verifica se as escolhas observadas apresentam uma associação maior do que seria esperada por acaso.
A lógica difere da usada por classificadores que tentam identificar IA pelo estilo de escrita. O textGrain procura um sinal inserido durante a geração.
O acesso ao detector será inicialmente restrito a pesquisadores e organizações especializadas aprovados pela OpenAI.
Copiar e colar preservando as palavras deve manter o sinal, segundo a empresa. Reescritas e traduções podem enfraquecê-lo. Mesmo sem alterações, textos curtos ou com poucas alternativas de formulação podem dificultar a detecção.
Nos testes divulgados pela OpenAI, substituir 10% das palavras por sinônimos em trechos de 400 tokens reduziu a detecção de aproximadamente 92% para 66%. Com substituição de 25%, o índice caiu para 17%. A avaliação utilizou respostas em inglês.
O resultado indica uma limitação da técnica: identificar a marca depende tanto do texto disponível quanto das alterações feitas depois da geração.
Nas próximas semanas, a OpenAI aplicará a marca a textos elegíveis do ChatGPT e do Codex na União Europeia, em todos os planos. A medida responde às exigências de transparência do regulamento europeu de IA.
No Brasil, o anúncio não prevê a marcação como padrão no ChatGPT. Clientes da interface de programação de aplicações (API) poderão aderir globalmente em modelos selecionados; o recurso permanecerá desligado por padrão.
A Anthropic também anunciou marcas d’água para textos do Claude.
Encontrar a marca sinaliza participação de um modelo da OpenAI, mas não mede a contribuição humana. O resultado não identifica o usuário nem comprova autoria, propriedade ou veracidade.
Da mesma forma, não encontrar o sinal não prova que o texto foi escrito por uma pessoa. A OpenAI prevê tanto falsos positivos — detectar uma marca inexistente — quanto falsos negativos, quando o sinal passa despercebido.
Não. Ela está no padrão estatístico da escolha das palavras.
Preservar as palavras deve manter o sinal, mas não garante que ele seja detectável.
Não. A marca não identifica o usuário.