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Jacob Coxon: ex-pesquisador da OpenAI durante audiência sobre regulamentação de IA (Photo by CHARLY TRIBALLEAU / AFP/AFP)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 6 de outubro de 2026 às 09h59.
Representantes de OpenAI, Anthropic, Google e Meta participaram de uma audiência sobre os riscos da IA em Nova York. As propostas em discussão incluem avaliação independente, mecanismos de desligamento e responsabilização por danos. O Brasil também realizou audiências sobre a tecnologia, com debates sobre desinformação e eleições.
Os riscos da inteligência artificial (IA) levaram representantes de OpenAI, Anthropic, Google e Meta a uma audiência sob juramento na Câmara Municipal de Nova York, nesta segunda-feira, 5. O encontro reuniu empresas, especialistas e ex-funcionários do setor para discutir como proteger a população de falhas e usos indevidos desses sistemas.
A cobrança não partiu do Congresso americano, mas do Legislativo municipal. A presidente da Câmara, Julie Menin, convocou uma audiência do Comitê Pleno, formato que reúne o conjunto dos 51 vereadores, para examinar propostas de fiscalização e responsabilidade.
A presença de parte das empresas veio depois de pressão. Segundo comunicado da Câmara, OpenAI, Google e Anthropic aceitaram participar após a ameaça de intimação. A Meta já havia confirmado um representante de sua liderança.
Um dos projetos propõe impedir a comercialização e a implantação, na cidade, de sistemas sem validação independente. A avaliação abrangeria qualidade dos dados, segurança, privacidade e vieses.
O mesmo texto exige um mecanismo que permita a um operador humano desligar a IA. A proposta prevê multa de US$ 25 mil por ocorrência de implantação sem validação ou com avaliação falsificada.
Outro projeto permitiria que pessoas prejudicadas processassem empresas por danos previsíveis decorrentes do uso malicioso da tecnologia, caso a companhia não tivesse adotado salvaguardas razoáveis.
Também estão em discussão incentivos a denunciantes e comunicação de incidentes em contratos públicos. Uma proposta estabelece notificação ao órgão municipal de cibersegurança em até 24 horas.
São projetos, não exigências já aprovadas. A audiência faz parte da discussão legislativa sobre quais controles a cidade poderá adotar.
Ex-funcionários de laboratórios também participaram do encontro e fizeram alertas sobre a velocidade do desenvolvimento, segundo a Associated Press.
A discussão acontece depois de episódios em que agentes de IA alcançaram sistemas reais durante avaliações. Como mostrou a EXAME, os casos envolveram falhas na contenção de ambientes que deveriam limitar a atuação dos modelos.
O Brasil não está sem debate público sobre IA. Em 1º de junho, o Conselho de Comunicação Social do Congresso realizou uma audiência sobre desinformação e o uso da tecnologia nas eleições de 2026, conforme a Agência Câmara.
No encontro, pesquisadores apontaram dificuldades de fiscalização da publicidade digital e defenderam mais transparência. A audiência brasileira tratou de riscos informacionais e eleitorais; em Nova York, as propostas também alcançam validação técnica, desligamento e responsabilidade por danos.
A discussão sobre responsabilização inclui uma questão concreta: quais obrigações devem ser impostas às empresas antes e depois de um incidente.
Representantes de OpenAI, Anthropic, Google e Meta, além de especialistas e ex-funcionários do setor. A participação das empresas não significa que seus CEOs tenham prestado depoimento.
As medidas descritas são propostas legislativas discutidas na audiência, não novas obrigações já em vigor.