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Empresas trocam ChatGPT e Claude por modelos chineses de IA

DoorDash, Siemens e Airbnb adotam modelos como DeepSeek, Kimi e Z.ai para reduzir custos e diversificar fornecedores

DeepSeek: modelos da empresa chinesa têm ganhado espaço no corporativo (Nasir Kachroo/NurPhoto/Getty Images)

DeepSeek: modelos da empresa chinesa têm ganhado espaço no corporativo (Nasir Kachroo/NurPhoto/Getty Images)

Publicado em 13 de julho de 2026 às 15h44.

Empresas no mundo todo estão trocando modelos de inteligência artificial (IA) americanos por opções chinesas, segundo o Financial Times. Um dos principais motivos é justamente o que tem preocupado companhias como a OpenAI e a Anthropic — o preço das assinaturas.

De acordo com o site britânico, empresas como a DoorDash, a Siemens e o Airbnb adotaram ferramentas de IA chinesas, atraídas por modelos mais baratos e até mesmo mais fáceis de executar em sua própria infraestrutura.

O cofundador da DoorDash, Andy Fang, afirmou em seu perfil no X (antigo Twitter) que o grupo passou a delegar "tarefas de nível inferior" ao Kimi K2.6, um modelo da startup chinesa Moonshot AI, e reservou o Fable da Anthropic apenas para "as tarefas mais complexas".

Segundo Fang, a combinação "superou em muito... a um custo menor" uma configuração anterior que utilizava apenas modelos de fronteira dos EUA da Anthropic.

Já a Siemens afirmou ao FT que quer "flexibilidade" em seus modelos de IA e que usa uma série de ferramentas chinesas, como a DeepSeek e a Z.ai, ao mesmo tempo em que também usa "modelos de laboratórios de vanguarda" dos EUA e da Nvidia e do grupo francês Mistral.

A briga pelo preço da IA não começou agora.

A rivalidade direta começou com o Claude Code, o agente de programação autônoma da Anthropic, que viralizou entre desenvolvedores e turbinou a receita da empresa.

Impulsionada por essa adoção, a Anthropic ultrapassou a OpenAI em avaliação de mercado pela primeira vez, e sua taxa de receita anualizada saltou de cerca de US$ 9 bilhões no fim de 2025 para um patamar estimado em US$ 47 bilhões em maio de 2026, segundo o The Information.

Diante da perda de terreno, o presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, reconheceu que o custo da IA é "um grande problema" para as empresas clientes e prometeu encontrar "formas de ajudar as pessoas a ter mais valor por menos gasto".

Modelos de código aberto como o DeepSeek, o GLM, da Zhipu, e o Kimi, da Moonshot, alcançaram qualidade de fronteira cobrando muito menos, ao priorizar a eficiência por tarefa em vez do desempenho máximo em testes.

A diferença de preço é grande. Segundo a firma de análise Artificial Analysis, rodar uma mesma carga de trabalho no Claude, da Anthropic, custa US$ 4.811, enquanto o mesmo trabalho no modelo GLM, da Zhipu, sai por US$ 544 — quase nove vezes mais barato. Em alguns comparativos, a diferença entre os modelos ocidentais e os chineses chega a 13 vezes. Para empresas que já reclamavam da conta, a matemática ficou impossível de ignorar.

Tommy Shaughnessy, da gestora Delphi Ventures, em análise que circulou no setor, afirmou que "o modelo de IA é o maior custo de um provedor de inferência" — e os laboratórios chineses o obtêm de graça, ao abrir o código de modelos de ponta.

Enquanto a China seguir liberando esses modelos gratuitamente, o piso do preço da IA continuará caindo em direção a zero.

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