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Ele trabalhou no Claude e no ChatGPT — e abandonou a indústria de IA aos 27 anos

Após três anos desenvolvendo grandes modelos de linguagem, Jacob Coxon deixa a Anthropic criticando a corrida "imprudente" das Big Techs rumo à superinteligência.

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 09h59.

Última atualização em 9 de setembro de 2026 às 16h33.

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Aos 27 anos, Jacob Coxon já passou por dois dos laboratórios de inteligência artificial (IA) mais influentes do mundo antes de decidir abandonar a indústria por completo.

Formado em matemática pela Universidade de Cambridge, ele construiu uma trajetória que começou longe da IA e terminou no centro técnico dela — até a decisão de largar tudo, alertando publicamente sobre os riscos da própria tecnologia que ajudou a construir.

Os primeiros trabalhos de pesquisa de Coxon aplicaram análise bayesiana(método estatístico que atualiza probabilidades à medida que novas evidências surgem — a partir de dados clínicos), estudando associações genéticas ligadas à meningite tuberculosa. Foi essa base em modelagem estatística que, segundo o próprio currículo acadêmico dele, precedeu sua migração para avaliação técnica e transparência de grandes modelos de linguagem.

Na OpenAI, Coxon atuou com segurança de IA e interpretabilidade de modelos — a área que tenta entender, de forma mais literal, o que acontece "dentro da cabeça" de um sistema de IA enquanto ele processa uma tarefa.

Por que pesquisadores do Claude afirmam que há 10% de chance de a IA acabar com a humanidade

Foi coautor do system card do GPT-4o, documento técnico que detalha avaliações de segurança e estratégias de mitigação de risco do modelo, e também assinou pesquisa sobre "transformers esparsos em peso", demonstrando como reduzir certas conexões internas de um modelo permite identificar caminhos computacionais mais claros e rastreáveis dentro da arquitetura — um passo relevante para tornar sistemas de IA menos "caixas-pretas".

Por que ele pediu demissão?

Jacob Coxon,

Jacob Coxon: ex-pesquisador da Anthropic e da OpenAI anunciou sua saída da indústria de IA alertando para os riscos da corrida pela superinteligência (X/Reprodução)

Coxon deixou a OpenAI para entrar na Anthropic ainda em 2026, passando ao todo três anos totalmente dedicado à pesquisa de pré-treinamento entre as duas empresas — etapa inicial e mais fundamental na construção de um grande modelo de linguagem, na qual o sistema é exposto a enormes volumes de dados de texto para aprender padrões estatísticos da linguagem, antes de passar por etapas posteriores de ajuste fino.

Coxon anunciou sua saída da Anthropic — e da indústria de IA como um todo — na madrugada de terça-feira, 8, em uma longa publicação no X que já soma milhões de visualizações.

"Renunciei à Anthropic hoje. Passei os últimos três anos fazendo pesquisa de pré-treinamento tanto na OpenAI quanto na Anthropic. Nenhuma das duas empresas está agindo de forma responsável. Elas estão correndo direto para uma superinteligência autoaperfeiçoável e apostando com nossas vidas", escreveu.

Segundo ele, colegas dentro dos laboratórios já usam termos como "crunchtime" (período de trabalho intenso sob pressão) e "endgame" (fim de jogo) para descrever a fase atual da corrida — e ele projeta um prazo curto para o problema se tornar crítico.

"Estamos no caminho para muitos dos cenários mais agressivos, em que, até o fim do ano que vem, as coisas já poderiam estar fora de controle", disse ele em entrevista ao Wall Street Journal.

Coxon traça uma distinção entre as duas empresas em que trabalhou. "Na OpenAI, muita gente não internalizou profundamente as dimensões civilizacionais do que está em jogo. Na Anthropic, os riscos são bem compreendidos, mas a empresa está presa em uma corrida para chegar lá primeiro — eles acreditam que ninguém mais vai agir de forma responsável, então precisam fazer isso eles mesmos, apesar do risco", escreveu.

Para ele, essa lógica não justifica o risco assumido. "Aceitar essa corrida e entrar no 'endgame' é uma aposta arrogante, que não deveria ser lançada a partir do Slack interno de uma empresa privada", disse ao WSJ.

Ele também afirma que a preocupação não fica restrita a pesquisadores dissidentes — seria compartilhada até por quem segue no comando das empresas, mesmo que publicamente amenizada.

"As pessoas que constroem IA acreditam, sinceramente, que ela pode nos matar a todos até o fim da década. Isso não é um golpe de marketing. Se alguma coisa, muitos executivos e pesquisadores seniores vão suavizar a linguagem na imprensa para soar sensatos — mas ouço as mesmas pessoas expressarem medo em privado", escreveu.

Coxon encerrou a publicação com um apelo direto a quem ainda trabalha dentro de laboratórios de fronteira: "Se você é um pesquisador de laboratório, considere como os próximos anos realmente vão parecer. Você quer dar início a uma rodada de aprendizado por reforço superinteligente sem um entendimento rigoroso da mente dela? Você deveria manter a cabeça baixa porque 'isso já está acontecendo de qualquer jeito' — ou aproveitar este momento para pedir condições diferentes?"

Horas depois, Evan Hubinger, líder da equipe de testes de estresse de alinhamento da própria Anthropic, confirmou publicamente o teor do alerta do ex-colega, em vez de contestá-lo — episódio que transformou a saída de Coxon em um dos casos mais discutidos da semana dentro da indústria de IA.

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