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Como a Anthropic virou a startup mais valiosa do mundo — e passou a OpenAI

Avaliada em US$ 965 bilhões, dona do Claude superou a OpenAI após receita anualizada saltar para US$ 47 bilhões em maio

Anthropic: startup se tornou a mais valiosa do mundo na semana passada (Imagem gerada por IA)

Anthropic: startup se tornou a mais valiosa do mundo na semana passada (Imagem gerada por IA)

Publicado em 1 de junho de 2026 às 05h01.

A Anthropic, dona do assistente de inteligência artificial (IA) Claude, se tornou a startup mais valiosa do mundo após uma captação de US$ 65 bilhões na semana passada.

Avaliada em US$ 965 bilhões, a companhia fundada por Dario Amodei ultrapassou a OpenAI, avaliada em US$ 852 bilhões em sua última rodada de março.

A virada é carregada de simbolismo.

Isso porque a Anthropic foi fundada em 2021 por Amodei que, até 2020, atuava como vice-presidente de pesquisa da OpenAI, em um dos cargos mais sêniores do laboratório que estava prestes a mudar o mundo da tecnologia com o ChatGPT.

À época, circulavam os boatos de que Amodei havia deixado a OpenAI por conta da parceria bilionária da empresa de Sam Altman com a Microsoft, uma aliança que, segundo relatos, parte do time interno enxergava como incompatível com o foco em segurança de IA.

Mas Amodei desmentiu essa versão. "Há muita desinformação sobre por que saí. As pessoas dizem que saímos porque não gostamos do acordo com a Microsoft. Falso", disse ele em entrevista ao podcast Lex Fridman, em 2024.

O motivo real, segundo ele, era mais simples — e pessoal. "É incrivelmente improdutivo tentar discutir com a visão de outra pessoa", disse, ao ser questionado sobre a saída.

Amodei não saiu sozinho da OpenAI. Ao deixar a companhia, ele convenceu outros oito pesquisadores a embarcar no projeto, entre eles sua irmã Daniela Amodei, que ocupava o cargo de vice-presidente de segurança e política da OpenAI e hoje é presidente da Anthropic.

O grupo incluía ainda Jared Kaplan, cientista-chefe responsável pela pesquisa que fundamentou as chamadas "leis de escala" dos modelos de linguagem, a descoberta de que modelos maiores, treinados com mais dados, tendem a ser sistematicamente mais capazes.

Também integraram o time fundador Jack Clark, ex-diretor de política da OpenAI; Chris Olah, um dos principais pesquisadores de interpretabilidade de IA do mundo; Ben Mann, Sam McCandlish e Tom Brown, co-autor do paper original do GPT-3.

Cinco anos depois, a visão de Amodei e dos demais dissidentes do ChatGPT vale mais do que a empresa que deixou para trás.

O salto sem precedente

A velocidade da ascensão da Anthropic não tem paralelo na história do venture capital.

Em fevereiro de 2026, a empresa havia completado uma rodada que a avaliou em US$ 380 bilhões, liderada pelo fundo soberano de Cingapura GIC e pela Coatue. Três meses depois, a avaliação quase triplicou para US$ 965 bilhões, segundo a CNBC.

Em paralelo, a OpenAI atingiu US$ 852 bilhões em sua última rodada de captação, em março de 2026, após levantar US$ 122 bilhões no que é (pelo menos até agora) a maior rodada de financiamento privado da história.

A Anthropic passou a OpenAI com uma rodada menor, porque seus fundamentos de receita cresceram mais rápido.

"O aumento de avaliação em um período tão curto é sem precedente para uma startup", disse Jay Ritter, professor da Universidade da Flórida especializado em IPOs, ao Al Jazeera.

A receita que explodiu

A rodada da semana passada veio acompanhada de um dado que justifica a avaliação.

A Anthropic divulgou uma taxa de receita anualizada de US$ 47 bilhões, acima dos US$ 30 bilhões de run rate reportados no início de 2026 e dos US$ 10 bilhões de receita anual registrados em 2025.

A trajetória de crescimento é difícil de contextualizar com métricas históricas.

Segundo dados divulgados por Amodei e compilados pelo Bitget, a Anthropic registrou aproximadamente US$ 10 milhões em receita anualizada em 2022, US$ 100 milhões em 2023 e US$ 1 bilhão em dezembro de 2024.

NOVA YORK, NOVA YORK - 3 DE DEZEMBRO: O CEO e cofundador da Anthropic, Dario Amodei, discursa no palco durante a Cúpula Dealbook do New York Times de 2025, no Jazz at Lincoln Center, em 3 de dezembro de 2025, na cidade de Nova York. O colunista do NYT, Sorkin, apresentou a cúpula anual Dealbook, que reúne líderes empresariais e governamentais para discutir as notícias mais importantes sobre negócios, política e cultura. (Foto de Michael M. Santiago/Getty Images)

Dario Amodei: executivo deixou a OpenAI e fundou a Anthropic (Michael M. Santiago/Getty Images)

Em fevereiro de 2026, estava em US$ 14 bilhões. Em março, US$ 19 bilhões. Em abril, US$ 30 bilhões. Em maio, US$ 47 bilhões.

A AWS levou 13 anos para chegar a US$ 35 bilhões em receita anual. A Salesforce cruzou a marca de US$ 20 bilhões apenas em 2021, 22 anos após sua fundação. E a Anthropic cobriu distância equivalente em pouco mais de um ano.

O produto que mudou tudo

O motor dessa aceleração tem nome: Claude Code.

O agente de programação da Anthropic foi lançado como preview em fevereiro de 2025 e disponibilizado publicamente em maio do mesmo ano.

Segundo a Time, o produto cresceu dentro da própria Anthropic antes de chegar ao mercado.

Quando seu preview interno foi lançado, o engenheiro Boris Cherny, responsável pelo produto, parou de escrever código manualmente. E, depois que outros pesquisadores descobriram o que ele estava usando, passaram a adotar também.

Em novembro de 2025, a Anthropic lançou uma nova versão do Claude que, integrada ao Claude Code, era capaz de identificar e corrigir seus próprios erros com autonomia suficiente para ser confiada em tarefas completas.

A receita anualizada do Claude Code sozinho superou US$ 1 bilhão até o fim de 2025 e chegou a US$ 2,5 bilhões em fevereiro de 2026, segundo a Time.

A base de clientes também reflete a tração empresarial. Segundo a Semi Analysis, oito das dez maiores empresas do mundo pelo índice Fortune são clientes do Claude.

O número de clientes com gasto anual acima de US$ 1 milhão passou de uma dúzia há dois anos para mais de mil. O número de clientes com gasto acima de US$ 100 mil cresceu sete vezes no último ano.

Quem financiou a ascensão?

A Anthropic chegou a US$ 965 bilhões sobre uma base de capital construída ao longo de cinco anos com uma estratégia deliberada de diversificação entre os maiores players da tecnologia.

A Amazon investiu US$ 8 bilhões, tornando-se a maior parceira de infraestrutura da empresa. O Google investiu US$ 2 bilhões em 2023.

A Nvidia e a Microsoft anunciaram um compromisso conjunto de US$ 15 bilhões em novembro de 2025, parte de um acordo pelo qual a Anthropic comprometeu US$ 30 bilhões em capacidade computacional da Microsoft.

A rodada da semana passada também inclui US$ 15 bilhões de investimentos previamente comprometidos — entre eles, os US$ 5 bilhões da Amazon.

Os outros US$ 50 bilhões vieram de novos investidores, incluindo a Micron Technology.

A Anthropic afirmou que usará os recursos para pesquisa em segurança e interpretabilidade de IA, expansão de capacidade computacional e escalonamento dos produtos Claude e parcerias.

O que vem depois?

Com avaliação de US$ 965 bilhões, a Anthropic está a um passo do trilhão. A OpenAI está preparando seu próprio IPO para setembro de 2026.

A Anthropic ainda não confirmou data para abrir capital, mas analistas da Renaissance Capital a listam como uma das empresas mais aguardadas para uma eventual oferta pública.

A empresa que nasceu da discordância sobre como a inteligência artificial deveria ser desenvolvida agora vale mais do que a que deixou para trás — e entrou na corrida para definir como a IA vai funcionar no mundo corporativo antes de qualquer uma delas chegar à bolsa.

Acompanhe tudo sobre:AnthropicOpenAI

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